Enfarte agudo do miocárdio: maioria dos pacientes toma as medidas erradas

Inquérito realizado no âmbito de um projeto europeu

16 fevereiro 2012
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A maioria dos doentes que sofre um enfarte agudo do miocárdio não sabe tomar as medidas adequadas, e muitos nem sequer identificam os sintomas, acabando por perder muito tempo até receber ajuda, aumentando o risco de mortalidade, dá conta um inquérito realizado no âmbito de um projeto europeu denominado “Stent For Life”.

 

De acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Cardiologia de Intervenção, responsável pela introdução do projeto no país, o “Stent For Life”, tem por objetivo melhorar a prestação de cuidados médicos ao doente com enfarte e o acesso àquela que é considerada atualmente a melhor terapêutica para este tipo de enfarte, a angioplastia primária, explicou à agência Lusa o presidente daquela associação.

 

De acordo com Hélder Pereira, os principais problemas a resolver para alcançar essa melhoria é ensinar ao doente quais os sinais de alerta para um enfarte e o que deve fazer nessa circunstância: "o doente deve sempre, mas sempre, chamar o INEM e nunca dirigir-se sozinho para o hospital ou adiar a resposta aos sintomas que apresenta".

 

“O INEM está equipado com aparelhos que permitem diagnosticar o enfarte e sabe encaminhar o doente para o hospital mais próximo que faz cardiologia de intervenção, contacta-o e quando o doente chega aos centros já está a logística preparada”, explicou.

 

Além disso, se no caminho o doente tiver uma arritmia fatal – principal causa de morte pré-hospitalar – é socorrido imediatamente pelos profissionais do INEM, que reduzem a arritmia com fármacos, afirmou, acrescentando que a sobrevivência nestes casos é de cem por cento.

 

De acordo com um inquérito realizado, durante um mês, a 185 doentes, apenas 29% ligaram para o INEM, os restantes não tomaram a decisão correta e dirigiram-se pelos próprios meios para o hospital.

 

O resultado é que chegaram tardiamente ao hospital e em 56% dos casos recorreram inicialmente a outras unidades de saúde que não as mais indicadas.

 

“A consequência é que o doente tem que ser transferido para um hospital com angioplastia primária, o que é feito com transporte inter-hospitalar, perdendo-se ainda mais tempo, numa mediana de 120 minutos. Mais de metade dos doentes espera mais de duas horas”, afirmou.

 

Em conclusão, as principais barreiras a ultrapassar, reveladas por este primeiro ano de experiência do programa, são o reduzido número de doentes que contacta o 112, o elevado número de doentes que passa por unidades de saúde sem cardiologia de intervenção e o longo tempo perdido na realização do transporte secundário para os centros de intervenção”, sintetiza Hélder Pereira.

 

Há um outro aspeto a melhorar que é a sensibilização da população para os sinais e sintomas de enfarte, já que muitas vezes os doentes não os identificam e acabam por não ser tratados porque chegam tarde ao hospital, por vezes mais de 12 horas após o início do enfarte.

 

Quanto aos aspetos positivos encontrados no final do primeiro ano, Hélder Pereira destaca a melhoria do serviço do INEM, e a “performance dos centros de intervenção, que é muito boa”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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