Enfarte agudo do miocárdio e a falta de tratamento mais eficaz

Dados do inquérito anual da iniciativa Stent For Life Portugal

02 junho 2015
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Cerca de metade dos pacientes que sofreram um enfarte agudo do miocárdio (EAM) deram entrada em serviços de urgência hospitalar que não tinham o tratamento mais eficaz para esta condição cardíaca, a angioplastia primária.
 

Esta conclusão é do inquérito anual da iniciativa Stent For Life Portugal que resultou de uma análise, realizada durante um mês, de todos os dados de doentes que sofreram um EAM.
 

O objetivo desta análise foi “identificar os fatores que influenciaram o tratamento” do enfarte agudo do miocárdio.
 

De acordo com os resultados do inquérito, ao qual a agência Lusa teve acesso, apenas 37% dos doentes que sofreram um EAM recorrem ao Número Europeu de Emergência (112) para ter “a necessária assistência médica pré-hospitalar e o encaminhamento para o hospital adequado ao seu tratamento”.
 

O inquérito indica que “46% destes doentes dão entrada no serviço de urgência de hospitais que não têm capacidade para realizar uma angioplastia primária, o tratamento mais eficaz para o EAM”.
 

Os autores do documento apontam para a necessidade de melhorar, “de forma significativa, o recurso ao 112”.
 

“O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) dispõe de profissionais qualificados para identificar precocemente o EAM e assegurar que as várias entidades intervenientes na emergência médica pré-hospitalar transportam o doente para um hospital que disponha de unidade de hemodinâmica onde possa ser realizada a angioplastia primária”, referem as conclusões do inquérito.
 

Os especialistas que compõem o Stent for Life Portugal – uma iniciativa da Sociedade Europeia de Cardiologia para “melhorar o acesso dos doentes à melhor terapêutica atual para o EAM” – explicam que para que a angioplastia primária possa ser eficaz é fundamental que este procedimento seja efetuado idealmente até 90 minutos após início dos sintomas.
 

De acordo com o coordenador da iniciativa Stent For Life Portugal, Hélder Pereira, “este atraso no tratamento dos doentes verifica-se sobretudo porque a população continua a desconhecer quais são os sintomas do enfarte”.
 

Nos casos em que o doente sabe quais são os sintomas, existe “uma desvalorização dos mesmos, fica-se na expetativa que não seja nada de grave e que a dor no peito acabe por desaparecer, o que significa que se perde tempo precioso para a realização do tratamento”, defende o cardiologista.
 

A dor no peito é o sintoma mais comum no EAM e é muitas vezes descrita como uma sensação de pressão, aperto ou ardor. Esta dor pode também ocorrer noutras partes do corpo como no braço esquerdo, pescoço ou queixo e é acompanhada de falta de ar, náuseas, vómitos, batimentos cardíacos irregulares, suores, ansiedade e sensação de morte eminente.
 

“Logo desde o início dos sintomas é importante ligar 112 e não tentar chegar a um hospital pelos seus próprios meios ou com a ajuda de familiares”, aconselha Hélder Pereira.
As doenças cardiovasculares continuam a ser uma das principais causas de morte em Portugal.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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