Enfarte agudo do miocárdio aumenta com mudança de horário de verão

Estudo realizada pela University of Alabama

12 março 2012
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Enfarte agudo do miocárdio aumenta com a mudança do horário de verão, dá conta um estudo realizado pelos investigadores da University of Alabama.

 

“A segunda e a terça-feira, após os relógios terem adiantado uma hora em Março, está associada a um aumento de 10% do risco de enfarte agudo do miocárdio. Em Outubro, quando a hora atrasa, acontece precisamente o contrário, o risco diminui cerca de 10%”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Martin Young.

 

Contudo, ainda não se sabe ao certo porque motivo isto ocorre. “A privação do sono, o ciclo circadiano e todas as respostas imunes podem estar envolvidas quando se consideram as razões pelas quais a mudança da hora poderá interferir na saúde, explica o investigador.

 

Mas então como é que a mudança de hora poderá estar associada a todos estes eventos?

 

Martin Young explica que no que diz respeito à privação do sono sabe-se que os indivíduos que dormem pouco pesam mais e estão sob um maior risco de desenvolver diabetes ou doenças cardiovasculares. A privação de sono também altera outros processos do organismo como a resposta inflamatória, a qual pode contribuir para o enfarte agudo do miocárdio. A reação à privação do sono e à mudança de hora também depende se a pessoa gosta mais das manhãs ou é mais notívaga, tendo, esta última, mais dificuldade com a mudança da hora na primavera.

 

Quanto ao ciclo circadiano, o investigador dá conta que todas as células têm um relógio biológico que lhes permite antecipar quando algo vai acontecer, para se preparar para essa ocorrência. Quando há uma alteração no ambiente, como mudança de hora, ainda demora algum tempo até as células se reajustarem. Quando o relógio avança uma hora, os relógios celulares estão a antecipar mais uma hora de sono que de fato não vão ter o que piora o stresse e tem ainda um maior impacto no organismo.

 

O investigador também dá conta que as células do sistema imunológico têm um relógio e a resposta imune depende bastante da hora do dia. Estudos realizados em animais mostraram que quando o sistema imune era estimulado, a sobrevivência dos ratinhos dependia da hora do dia em que era administrado o estímulo. Os ratinhos colocados em condições semelhantes às que ocorrem na mudança de horário e que os seus sistemas imunes eram posteriormente estimulados, morriam, ao contrário dos ratinhos controlo. Isto mostra que a mudança de hora pode ser prejudicial para a resposta do sistema imune.

 

Mas felizmente que o relógio biológico se sincroniza com o do meio ambiente. Enquanto alguns investigadores estão a analisar formas de ajudar o organismo a se sincronizar mais rapidamente, incluindo fármacos para tratar os problemas associados ao jet lag, Martin Young defende uma abordagem mais natural.

 

Assim, o investigador aconselha que nos dias que antecedem a mudança de hora, que em Portugal vai ocorrer no próximo dia 25 de março, a acordar 30 minutos mais cedo, ingerir um bom pequeno-almoço e praticar exercício matinal.

 

“Ao fazer tudo e isto vai ajudar a ajustar o relógio central e o relógio no cérebro que reage às alterações dos ciclos dia/noite e os relógios periféricos que reagem à ingestão de alimentos e prática da atividade física. Desta forma o organismo vai sincronizar-se naturalmente com as alterações no ambiente, o que diminui o risco de eventos adversos no dia da mudança de hora, conclui Martin Young.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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