Endometriose: novos compostos mostram-se promissores

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

27 janeiro 2015
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A endometriose pode ser tratada com dois novos compostos que têm por alvo dois impulsionadores chave desta condição, a sinalização do estrogénio e a inflamação, sugere um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 

A endometriose é uma doença que causa períodos menstruais dolorosos, podendo também provocar dor crónica na parte inferior do abdómen, pelve ou parte inferior das costas. As mulheres afetadas por esta condição também podem sofrer fadiga e depressão. A longo prazo, a endometriose pode também afetar os ovários, as trompas de Falópio outros tecidos, assim como conduzir à inflamação e infertilidade.
 

Os tratamentos atuais para a endometriose suprimem a condição, mas não conseguem muitas vezes reduzir a dor e a inflamação associada. Estes tratamentos também têm efeitos colaterais noutros tecidos, não podendo como tal ser tomados para sempre. “Infelizmente também há uma elevada taxa de recorrência da doença”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, John Katzenellenbogen.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Illinois, nos EUA, testaram os novos compostos, o cloroindazol (CLI) e o sulfonato oxabiciclohepteno (OBHS), em ratinhos com endometriose e em células de endometriose humanas. Os dois compostos bloqueiam os recetores de estrogénio, proteínas sinalizadoras que regulam vários genes, incluindo alguns que afetam a resposta imunológica e promovem a inflamação.
 

Através de estudos realizados em ratinhos, os investigadores verificaram que a administração de ambos os fármacos reduziu a quantidade de tecido endometrial ou impediu seu crescimento fora do útero. Os fármacos também reduziram a inflamação e impediram o crescimento de novos neurónios e vasos sanguíneos que suportam o tecido endometrial que se encontra erradamente noutros locais para além do útero.
 

O estudo apurou ainda que a adição de qualquer um dos compostos a um fármaco habitualmente utilizado no tratamento da endometriose, aumentou a eficácia deste último. Quando estes fármacos foram testados em células humanas endometriais cultivadas na presença de um tipo de célula imunológica que pode contribuir para a inflamação e crescimento de tecido endometrial (macrófagos) observou-se que estes tinham efeitos semelhantes na atividade dependente de estrógeno e na inflamação.
 

Os investigadores esperam que um dia estes novos compostos sejam também capazes de tratar outras condições nas quais a sinalização do estrogénio e inflamação desempenham um papel fundamental. Estas condições incluem a esclerose múltipla, fibrose do fígado, cancro da mama, problemas cardiovasculares associados à obesidade, bem como problemas metabólicos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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