Endometriose: como afeta a infertilidade?

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

23 novembro 2016
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Investigadores do Reino Unido perceberam por que motivo algumas mulheres têm muita dificuldade em engravidar, dá conta um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 
A endometriose é uma condição crónica que afeta cerca de 10% das mulheres e está associada a dor crónica abdominal, períodos menstruais irregulares e baixa fertilidade.
 
Para que as mulheres fiquem grávidas é necessário a produção de ovócitos maduros. Esta maturação ocorre em estruturas ricas em fluidos, denominadas folículos. Os ovócitos maduros são posteriormente libertados para serem fertilizados. Contudo, nas mulheres com endometriose, os ovócitos são afetados por um ambiente uterino muito hostil que diminui a fertilidade. Até à data, a comunidade científica acreditava que o ovócito antes de ser libertado não era afetado pela endometriose. 
 
Contudo, os investigadores da Universidade de Southampton e do Hospital Princess Anne, no Reino Unido, constataram que a qualidade do ovócito ficava severamente comprometida com a endometriose. 
 
Simon Lane, o líder do estudo, referiu que estes resultados podem ter implicações clínicas para muitas mulheres que têm problemas em engravidar. 
 
O estudo apurou que o fluído dos folículos dos pacientes com endometriose bloqueava a maturação dos ovócitos através da produção de espécies reativas de oxigénio, que danificam o ADN. Este dano faz com que o ovócito não amadureça e não seja possível fertilizá-lo. 
 
De forma a chegar a estas conclusões, os investigadores recolheram ovócitos imaturos de ratinhos e incubaram-nos no fluido folicular retirado de mulheres com endometriose. Foram analisadas as quantidades de espécies reativas de oxigénio produzidas e a capacidade de o ovócito maturar. Verificou-se que o fluido folicular das mulheres com endometriose conduziu a uma maior quantidade de espécies reativas de oxigénio.
 
Os cientistas acreditam que os efeitos da endometriose nos ovócitos maduros podem ser impedidos pelos antioxidantes. De facto verificou-se que a adição do resveratrol, composto presente nas uvas, e da melatonina, que é libertada durante o sono, conduziu à diminuição dos níveis de espécies reativas de oxigénio e a uma maior quantidade de ovócitos maduros.
 
Ying Cheong, um dos autores do estudo, concluiu que este estudo pode fornecer alguma esperança às mulheres com endometriose que não conseguem engravidar.  
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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