Endometriose: Centro Materno-Infantil do Norte segue mais de 100 mulheres

Intervenção cirúrgica tem efeitos encorajadores

21 outubro 2016
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Mais de 100 mulheres com endometriose são seguidas pelo Centro Materno-Infantil do Norte, registando-se efeitos "encorajadores" no tratamento dessa doença através de intervenção cirúrgica.
 

"É esse o resultado preliminar da investigação", revelou à agência Lusa o ginecologista Hélder Ferreira, que nesse hospital coordena a equipa dedicada ao estudo da doença feminina que é uma das causas mais frequentes de internamento ginecológico e estará na origem de até 1/3 dos casos de infertilidade registados em Portugal.
 

"Seguimos uma população superior a 100 doentes de várias regiões do Continente e também dos Açores e da Madeira, e os resultados preliminares indicam que há uma melhoria clara dos sintomas da doença nas mulheres que foram sujeitas a tratamento cirúrgico", referiu o também coordenador da Unidade de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva do Centro Hospitalar do Porto.
 

O acompanhamento realizado às mais de 100 utentes diagnosticadas com endometriose tem demonstrado que a cirurgia contribuiu para a melhoria generalizada da sua qualidade de vida, "tanto no que se refere à dor crónica, como no que respeita à própria fertilidade".
 

Isto é importante uma vez que as intervenções para tratamento da doença são muitas vezes de concretização complexa e, dado o caráter invasivo das cirurgias e o número de órgãos afetados, envolvem risco significativo para as pacientes.
 

"Precisamente por isso é que o Centro Hospitalar do Porto executa essas cirurgias por via laparoscópica", realça Hélder Ferreira. "O Centro Materno-Infantil do Norte é, aliás, um dos poucos hospitais do Serviço Nacional de Saúde a apostar em procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos para tratamento da endometriose", acrescenta.
 

Quanto ao progresso da investigação desenvolvida nessa unidade, o ginecologista reconhece que o Estado tem dado o seu contributo para financiamento do trabalho em causa, mas considera que há uma grande margem para evolução.
 

A endometriose consiste na presença de células do endométrio que, em vez de confinadas ao útero, se alojam noutros órgãos do corpo humano e podem assim invadir o intestino, a bexiga e outros elementos próximos do sistema reprodutor feminino, eventualmente chegando também aos pulmões e até ao cérebro.
 

Os sintomas mais frequentes da doença são a cólica menstrual e a dor durante o ato sexual, mas outros indícios comuns são a infertilidade, a obstipação e o sangramento urinário.
 

Hélder Ferreira refere que este é "um problema de saúde pública" que afeta 10 a 20% da população feminina em idade fértil e sobre o qual "ainda há um desconhecimento enorme entre a própria comunidade médica", pelo que a dor indicadora de endometriose é muitas vezes confundida com a cólica menstrual, dificultando o diagnóstico atempado.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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