Encontrados pontos fracos das células cancerosas

Estudo publicado na “Nature Reviews Cancer”

02 março 2015
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Investigadores ingleses descobriram recentemente pontos fracos nas células cancerosas que poderiam ser alvo da ação de novos medicamentos, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Reviews Cancer”.
 

Recorrendo a uma análise computacional, os investigadores da Universidade de Sussex e do Instituto de Investigação do Cancro, no Reino Unido, descobriram potenciais alvos terapêuticos que exploram as fraquezas inerentes às células cancerosas.
 

Esta descoberta poderia conduzir à medicina personalizada, em que o ADN do paciente é lido e o tratamento apenas ataca as células cancerosas, ao contrário dos tratamentos de quimioterapia convencionais, que atacam todas as células, inclusive as células saudáveis.
 

Para o estudo, foram analisados os padrões de mutação de ADN de tumores de mais de cinco mil pacientes diagnosticados com cancro. A investigação focou-se nos mecanismos de reparação do ADN, que protegem a informação genética das células e que estão mutados em quase todos cancros. É a quebra deste mecanismo de reparação de ADN que permite às células cancerosas multiplicarem-se descontroladamente, gerando cada vez mais mutações, e permitindo-lhes assim tornar-se resistentes aos tratamentos.
 

“Saber que mecanismos de reparação do ADN estão alterados num tumor específico permite-nos desenvolver medicamentos que são tóxicos apenas para células com determinado padrão de mutações, isto é, as células cancerosas”, revelou um dos autores do estudo, Frances Pearl.
 

Atualmente já existem fármacos que têm por alvo os mecanismos de reparação de ADN, estando já em curso ensaios clínicos com esses fármacos para o tratamento de cancro da mama e do ovário com mutações no gene BRCA. Recentemente foi licenciado, nos EUA e na Europa, o Olaparib, para o tratamento das mulheres com cancro do ovário.
 

No entanto, o desenvolvimento destes novos tratamentos apenas é possível com a identificação de bons alvos. A equipa de investigadores foi capaz de analisar uma quantidade considerável de dados. “Esta análise demonstrou que existem numerosos cancros contra os quais poderiam ser utilizados tratamentos direcionados”, disse o investigador.
 

“Milhares de pacientes com cancro poderiam assim ser poupados aos efeitos secundários da quimioterapia se recebessem estes tratamentos direcionados”, conclui.
 

“Existem falhas nos mecanismos de reparação de ADN que permitem às células cancerosas acumular mutações e evoluir de forma tão célere, que as tornam difíceis de tratar. Mas essas mesmas lacunas na reparação do ADN podem deixar os cancros vulneráveis aos ataques, e este estudo permitiu mostrar como poderíamos desenvolver medicamentos para enfraquecer ainda mais os mecanismos de reparação das células cancerosas e conduzi-las à morte.”

 

“Apenas uma pequena fração das proteínas envolvidas no cancro são alvo dos fármacos atuais e precisamos urgentemente de fármacos que atinjam novos alvos”, acrescenta Bissan Al-Lazikani, coautor do estudo que permitiu identificar alvos particularmente promissores para novos tratamentos anticancerígenos.

 

Os autores acreditam que tais tratamentos seriam úteis por si só ou em combinação com outros fármacos ou tratamentos de radioterapia, de forma a vencer a resistência aos tratamentos atuais. Os investigadores pretendem que este estudo permita acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos personalizados contra o cancro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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