Encerramento da consulta de doenças sexualmente transmissíveis no CheckpointLx

Organização Médicos do Mundo e o Movimento de Utentes preocupados

27 agosto 2015
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O encerramento da consulta de doenças sexualmente transmissíveis no CheckpointLx preocupa a delegação nacional da organização Médicos do Mundo e o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos que acusam o Ministério da Saúde de ignorar a importância do serviço.
 

Em comunicado, ao qual a agência Lusa teve acesso, a delegação nacional dos Médicos do Mundo solidariza-se com o Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT), que gere o CheckpointLx, e denomina de “vergonhoso” o fim do financiamento à consulta por parte da Direção-geral de Saúde.
 

Na opinião dos Médicos do Mundo, o fim do financiamento “ignora a excelente performance desta consulta”, algo que “terá um forte impacto negativo na população muito vulnerável que servia”, neste caso homens que têm sexo com outros homens.
 

Por outro lado, o fim do financiamento demonstra que a tutela dá pouco valor ao papel das ONG [Organizações não-Governamentais] e pouca atenção às populações mais vulneráveis.
 

“Esta ‘pretensa poupança’, consistente com uma visão imediatista, retrógrada, tecnicamente desaconselhada e desfasada da realidade, revelar-se-á, a médio e longo prazo, através de impactos negativos no SNS [Serviço Nacional de Saúde], com custos substancialmente superiores àqueles que resultam de políticas que se caracterizam por ações de proximidade, como era o caso desta consulta”, defendem os Médicos do Mundo.
 

O Movimento de Utentes do Serviço Público (MUSP) mostra “grande preocupação” com o encerramento da consulta Checklist, alegando que “não vislumbram os motivos para o fim” do financiamento, já que os resultados mostram mais de mil consultas feitas em três anos de funcionamento, e a deteção de mais de meia centena de jovens homossexuais em risco de cancro anal.
 

“Perante as implicações que tem o encerramento deste serviço, o MUSP exige ao Ministério da Saúde que reponha o financiamento, quer pelas questões de saúde, quer até pelas consequências financeiras que a não deteção destas patologias terão para o Estado”, defende a organização.
 

Na opinião do MUSP, o encerramento da consulta Checklist “é mais um exemplo da desorientação existente no Governo relativamente ao Serviço Nacional de Saúde”.
 

Por outro lado, a Direção-geral de Saúde (DGS), entidade que financia o CheckpointLx e financiava a consulta Checklist, fez saber que “continua a procurar uma solução duradoura para a reposição daquela consulta”, juntamente com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS/LVT) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
 

O serviço Checklist, consulta de doenças sexualmente transmissíveis, existia desde há três anos e funcionava no CheckpointLx, em Lisboa, tendo recebido, no decorrer desse período, cerca de 34 mil euros por ano, vindos do Ministério da Saúde, através da DGS, para pagar análises, reagentes e 'kits' médicos, a instituições públicas e a fornecedores. Encerrou recentemente, depois de oito meses a funcionar sem quaisquer verbas do Estado, já que o financiamento terminou em dezembro de 2014.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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