Emoções negativas são sentidas de forma diferente nos homens e mulheres

Estudos publicados na revista “Psychoneuroendocrinology”

25 setembro 2015
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As mulheres reagem a imagens negativas de um modo diferente dos homens, o que pode ser explicado por diferenças subtis na função cerebral, sugere um estudo publicado na revista “Psychoneuroendocrinology”.
 
"Nem todas as pessoas são iguais quando se trata de doença mental. Uma maior reatividade emocional nas mulheres pode explicar muitas coisas, como o facto de serem duas vezes mais propensas a sofrer de depressão e ansiedade, comparativamente com os homens”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Adrianna Mendrek.
 
Neste estudo os investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, descobriram que determinadas áreas do cérebro das homens e mulheres, especialmente aquelas envolvidas no sistema límbico, reagem de forma diferente quando expostas a imagens negativas. Assim, os investigadores decidiram analisar se o cérebro das mulheres funcionava de forma diferente da dos homens e se esta diferença era modelada por fatores psicológicos (características masculinas ou femininas) ou endócrinos (variações hormonais).
 
Para o estudo os investigadores contaram com a participação de 46 indivíduos saudáveis, incluindo 25 mulheres, que foram convidados a visualizar imagens e dizer se estas evocavam imagens positivas, negativas ou neutras. Simultaneamente, os cientistas monitorizaram a atividade cerebral dos participantes através de meios imagiológicos. Antes da experiência, foram recolhidas amostras de sangue para determinar os níveis hormonais, nomeadamente estrogénio e testosterona, em cada participante.
 
O estudo apurou que a qualificação subjetiva de imagens negativas foi maior nas mulheres comparativamente com os homens. Níveis elevados de testosterona foram associados a uma menor sensibilidade, enquanto maiores características femininas (independentemente do sexo dos participantes) foram associadas a uma maior sensibilidade. 
 
Apesar de o córtex pré-frontal dorsomedial (dmPFC, sigla em inglês) e a amígdala do hemisfério direito terem sido ativados tanto nos homens como nas mulheres no momento da visualização, a ligação entre a amígdala e a dmPFC era mais forte nos homens do que nas mulheres. Verificou-se ainda que quanto mais estas duas áreas cerebrais interagiam menos sensibilidade era relatada pelos participantes durante a visualização das imagens.
 
A amígdala é uma região do cérebro conhecida por atuar como um detetor da ameaça, sendo ativada quando um indivíduo é exposto a imagens de medo ou tristeza. Por outro lado, o dmPFC está envolvido em processos cognitivos (perceção, emoções, raciocínio, etc.) associados a interações sociais. 
 
"O facto de os homens terem uma ligação mais forte entre estas áreas sugere que estes têm uma abordagem mais analítica do que emocional quando lidam com emoções negativas", revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Stéphane Potvin.
 
Esta ligação entre o sistema límbico e o córtex pré-frontal parece ser modelada pela testosterona, que reforça esta ligação, bem como pelo género do indivíduo (medido pelo nível de masculinidade ou feminilidade). Portanto, há dois fatores, biológicos e culturais, que modulam a sensibilidade a situações negativas em termos de emoções", conclui a líder do estudo, Adrianna Mendrek.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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