Emoções condicionam escolhas morais

Novos dados sobre processo mental e zonas do cérebro

13 setembro 2001
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Não é nenhuma novidade que as pessoas reagem de modo diferente quando confrontadas com dilemas morais. Agora, investigadores da universidade americana de Princeton utilizaram tecnologias de imagem por ressonância magnética funcional para analisar as escolhas difíceis de vários voluntários.
 

 

Os resultados, publicados na revista “Science”, sugerem que, embora as pessoas cheguem em geral às mesmas conclusões quando confrontadas com escolhas morais difíceis, a forma como o fazem não assenta essencialmente num julgamento racional baseado em princípios morais, mas em reacções emocionais.
 

 

Composto por dois grupos de nove pessoas cada, os investigadores efectuaram um questionário enquanto utilizavam a ressonância magnética. Os dilemas eram de dois tipos: pessoais e impessoais.
 

 

O estudo teve como base uma série de dilemas morais clássicos que há muito fascinam os filósofos, por ser difícil identificar princípios morais compatíveis com as reacções das pessoas.
 

 

Num misto entre filosofia, neurobiologia e psicologia, o estudo pretendeu analisar quais os processos cerebrais que conduzem às respostas, consoante os indivíduos estão pessoalmente envolvidos ou não.
 

 

Entre muitas situações apresentadas aos voluntários, os cientistas colocaram-nos perante o encontro de uma carteira perdida com dinheiro e a difícil, ou não, decisão de a devolverem, ou a votação de uma medida política que pudesse provocar maior número de mortes do que outras políticas alternativas. Um dos dilemas pessoais passava pela escolha entre desviar ou não um combóio, que não sendo desviado mataria cinco pessoas, e sendo-o atropelaria apenas uma.
 

 

A ressonância magnética revelou uma maior e mais persistente activação das regiões do cérebro ligadas às emoções, durante o processo de resposta aos dilemas de tipo pessoal, do que em relação aos dilemas não pessoais. Quanto às zonas cerebrais associadas à memória e manipulação da informação revelaram-se menos activas para as perguntas pessoais do que para as outras.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Science
 

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