Emigração dos enfermeiros está a aumentar

Alerta do bastonário da Ordem dos Enfermeiros

16 novembro 2012
  |  Partilhar:

O número de enfermeiros que pediu autorização para trabalhar no estrangeiro aumentou quase quatro vezes nos últimos três anos, ultrapassando os 2.300 profissionais, alertou o bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE).
 

A notícia avançada pela agência Lusa referiu que nos primeiros 10 meses do ano, 2.303 profissionais pediram à Ordem do Enfermeiros (OE) a “Declaração das Diretivas Comunitárias” para trabalhar no estrangeiro. Em 2009, o número de pedidos situou-se nos 609, tendo subido para 1.030 em 2010 e para 1.724 em 2011, refere a OE, adiantando que, desde o início do ano, se regista uma média de 11 declarações por dia.
 

O bastonário revelou à agência Lusa que considera esta vaga de emigração muito preocupante tendo transmitido esta posição aos ministros da Saúde e da Educação e Ciência.
 

Esta preocupação deve-se ao facto de o país ter “necessidade de cuidados de enfermagem, que não estão a ser prestados aos cidadãos”, disse Germano Couto. “Há imensas horas de cuidados de enfermagem que os cidadãos não estão a receber. Apenas estão a receber o que é emergente e necessário naquele momento e não o que é necessário em termos de promoção de saúde e prevenção da doença”, acrescentou.
 

O perfil de quem emigra também está a mudar. “Até há bem pouco tempo, eram os jovens recém-licenciados que emigravam, mas agora estamos a deparar-nos com uma realidade diferente”. Atualmente, também “enfermeiros com largos anos de experiência, muitos deles já especialistas de enfermagem, estão a procurar novos rumos. Isso preocupa-me porque os especialistas não são aproveitados em Portugal”, sublinhou.
 

Germano Couto revelou que há enfermeiros especialistas que continuam a exercer cuidados gerais porque as instituições consideram que não são uma mais-valia e não lhes pagam como especialistas. Estes profissionais sentem “necessidade de emigrar porque há países que lhes pagam quatro ou cinco vezes mais do que em Portugal”.
 

“Portugal não tem uma estratégia, não tem um rumo em termos de recursos humanos na saúde. Ou o Ministério da Saúde acorda de uma vez por todas para esta realidade ou nós, daqui a 10, 15 anos não temos quem cuide de nós”, alertou.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.