Embriões mais éticos

Cientistas obtêm células mãe a partir de embrião de macaco criado sem esperma

01 fevereiro 2002
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Investigadores à procura de alternativas para a clonagem com fins terapêuticos criaram um embrião de macaco sem utilizarem esperma, obtendo células estaminais que depois se transformaram em tecido do coração, cérebro e outro material especializado.
 

 

Michael West, que dirige a empresa Advanced Cell Technology (ACT) em Worcester (Massachusetts), afirmou que a sua equipa utilizou químicos para fazer com que um óvulo de macaco se transformasse em embrião, um processo chamado "partenogénese".
 

 

A partenogénese é um processo especial de reprodução dos seres vivos, que pode ser normal ou provocado, no qual intervém um só gâmeta, não havendo, portanto, fecundação.
 

 

Em seguida, os cientistas extraíram células estaminais deste embrião para as cultivarem de forma a desenvolverem-se em tecidos especializados.
 

 

A ACT foi a empresa que anunciou em Novembro ter clonado um embrião humano que se tinha desenvolvido até às seis células.
 

 

West afirmou que, embora o novo estudo se refira apenas a óvulos de macacos, demonstrou que pode ser possível produzir células estaminais através da partenogénese.
 

 

Outros peritos, no entanto, dizem que esta técnica tem uma aplicação médica limitada a mulheres em idade fértil, não podendo beneficiar os homens.
 

 

Um relatório deste estudo é apresentado na edição de sexta-feira da revista Science.
 

 

Sem objecções éticas
 

 

West afirmou que acredita que produzir embriões através da partenogénese pode ultrapassar as objecções éticas levantadas por muitos que se opõem à clonagem terapêutica.
 

 

Ao contrário da clonagem reprodutiva, que visa produzir uma pessoa, a clonagem terapêutica envolve o desenvolvimento de embriões até apenas alguns dias de vida de forma a poder obter células estaminais destinadas a tratamentos médicos.
 

 

Imitação da natureza
 

 

West afirmou que o estudo utilizou células de macaco, imitando o processo de partenogénese que ocorre na natureza.
 

 

"A partenogénese ocorre naturalmente em algumas mulheres, formando uma massa de células no ovário", explicou.
 

 

A este grupo de células chama-se "teratoma", uma massa benigna que pode conter células totalmente desenvolvidas.
 

 

Os teratomas têm habitualmente de ser removidos cirurgicamente.
 

 

No estudo, West e a sua equipa expuseram 77 óvulos de macacos a químicos que causaram o seu desenvolvimento em embriões. "Os químicos fazem com que o ovo "pense" que contactou o esperma, transformando-se em embrião", explicou.
 

 

Segundo o investigador, 28 dos 77 ovos iniciais desenvolveram-se em embriões mas apenas quatro conseguiram alcançar um estádio avançado de pré-implantação, chamado blastócito.
 

 

A partir destes blastócitos, os investigadores conseguiram extrair com sucesso um único grupo de células embrionárias.
 

 

Estas células, a que os cientistas chamaram Cyno-1, contêm a totalidade dos genes, todos pertencentes ao macaco fêmea que produziu o óvulo. Na reprodução "normal", um embrião recolhe metade dos genes da mãe e outra metade do pai.
 

 

Em seguida, os investigadores utilizaram químicos para induzir as células estaminais a desenvolverem-se em células altamente especializadas, incluindo cardíacas, musculares e cerebrais.
 

 

A produção de células estaminais através de partenogénese já tinha sido conseguida em ratos mas esta é a primeira vez que se concretiza em primatas não-humanos.
 

 

Um especialista da Universidade Johns Hopkins, John Gearhart, sublinhou, contudo, que a utilização da partenogénese para produzir células estaminais tem "um uso médico muito limitado".
 

 

Estas células estaminais, explicou, só podem ser utilizadas na mulher que produziu os óvulos, pois de outra forma estas serão rejeitadas.
 

 

Fonte: Lusa
 

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