Embalagens dos alimentos podem afetar absorção de nutrientes

Estudo publicado na revista “Food & Function”

12 abril 2018
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As embalagens dos alimentos podem conter substâncias que afetam o funcionamento do nosso trato digestivo, indicou um novo estudo.
 
O estudo conduzido por investigadores da Universidade de Binghamton, da Universidade do Estado de Nova Iorque, EUA, indicou, com efeito, que “detetámos que nanopartículas de óxido de zinco (ZnO) em doses relevantes para o que se come normalmente numa refeição ou num dia podem mudar a forma como os nossos intestinos absorvem nutrientes ou os genes das células intestinais e expressão proteica”.
 
Gretchen Mahler, docente de bioengenharia e investigadora neste estudo, acrescentou ainda que estas nanopartículas de ZnO estão presentes no revestimento de alguns alimentos enlatados devido às suas propriedades antimicrobianas e outras.
 
Para o estudo, a investigadora e equipa analisaram milho, atum, espargos e frango enlatados, tendo estimado a quantidade de partículas que poderiam ser transferidas das latas para os alimentos.
 
Os investigadores descobriram que os alimentos analisados continham 100 vezes mais o consumo diário recomendado de zinco. Seguidamente, a equipa decidiu avaliar os efeitos daquelas partículas no trato digestivo, não a nível de toxicidade evidente como morte celular, mas da função celular.
 
Foi observado que as nanopartículas assentam nas células do trato gastrointestinal e provocam uma remodelação ou perda das microvilosidades que são projeções minúsculas nas superfícies das células epiteliais que contribuem para o aumento da área de absorção dos intestinos.
 
“Esta perda da área de superfície tende a resultar numa redução da absorção dos nutrientes. Algumas das nanopartículas também provocam sinalização pró-inflamatória em doses elevadas, e isto pode aumentar a permeabilidade do modelo intestinal. Um aumento na permeabilidade intestinal não é uma boa coisa – significa que os compostos que não são suposto passar para a corrente sanguínea poderão fazê-lo”, explicou Gretchen Mahler.
 
Embora estes efeitos tenham sido estudados em laboratório, a investigadora diz não saber quais serão as implicações a longo termo para a saúde do que foi observado. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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