Embalagens de alimentos podem prejudicar a saúde humana

Estudo publicado no "Journal of Epidemiology and Community Health"

12 março 2014
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Os componentes sintéticos utilizados nas embalagens e armazenamento de alimentos podem ser prejudiciais à saúde humana a longo termo, chamam a atenção cientistas ambientais num artigo científico.
 

Estas substâncias sintéticas não são inertes e podem penetrar nos alimentos que consumimos. Apesar de alguns desses químicos estarem regulamentados, as pessoas que consomem, de forma regular, alimentos embalados ou processados, estão expostas a níveis baixos dos mesmos, constantemente, ao longo da vida.
 

Não se sabe quase nada sobre o impacto de longo termo dessas substâncias sobre os seres humanos, nomeadamente em períodos críticos do desenvolvimento humano, como o período de gestação. Os cientistas salientam que a exposição de longo termo aos materiais em contacto com alimentos, a substâncias utilizadas na preparação, processamento, embalamento e armazenamento alimentares constituem “causa de preocupação por diversas razões”.
 

Por exemplo o formaldeído, uma substância causadora de doenças cancerígenas, está presente, embora em quantidades muito pequenas, na louça e talheres de melanina e nas garrafas de refrigerantes. Por outro lado, químicos que perturbam a produção de hormonas como o bisfenol, a tributirina, o triclosano e ftalatos também são encontrados nas embalagens de alimentos.
 

Adicionalmente, o número de substâncias conhecidas utilizadas de forma intencional nos materiais em contacto com alimentos ultrapassa as 4.000.
 

“Enquanto a ciência subjacente a algumas daquelas substâncias está a ser debatida e os responsáveis pela regulamentação têm dificuldades em satisfazer as necessidades dos interessados, os consumidores continuam diariamente expostos a estes químicos, a maioria sem o saber”, afirmam os autores.
 

Segundo os cientistas, o estabelecimento de uma potencial causa e efeito como resultado da exposição de longo termo aos materiais de contacto com alimentos não será de fácil execução já que não existem populações não expostas a estas substâncias como termo de comparação e não existem grandes diferenças nos níveis de exposição entre cada indivíduo entre as camadas populacionais.
 

No entanto, torna-se necessário efetuar estudos e biomonitorizações de forma a descobrir potenciais associações entre os materiais em contacto com alimentos e doenças crónicas como a obesidade, cancro, diabetes e doenças inflamatórias. Os autores acrescentam que nos países desenvolvidos essas doenças são responsáveis por dois terços das mortes, sendo que 16 por cento das mesmas ocorrem antes dos 60 anos de idade.
 

“Considerando que a maioria dos alimentos são embalados e que a toda população está em risco de estar exposta aos mesmos, é da maior importância que as lacunas no conhecimento sejam preenchidas de forma fidedigna e rápida”, concluem.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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