Em busca de explicações genéticas para a longevidade

Pessoas centenárias têm predisposição genética para ultrapassar a esperança média de vida

27 agosto 2001
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No decorrer de um trabalho cujo objectivo é encontrar formas para tornar a vida dos seres humanos mais longa e saudável, um grupo de pesquisa americano, chefiado por Louis Kunkel, do Hospital Infantil em Boston, em colaboração com Howard Hughes, do Instituto Médico, em Chevy Chase e Thomas Perls, do Centro Médico Beth Israel Deaconess em Boston, identificou uma região no cromossoma humano número 4, que contém entre 100 e 500 genes onde poderá estar incluído o gene ou grupo de genes responsáveis pela longevidade.
 

 

O estudo baseou-se numa análise genética rigorosa em 137 grupos de irmãos extraordinariamente longevos, com idades compreendidas entre os 91 e os 109 anos (curiosamente, a maioria dos participantes era de ascendência europeia). Os investigadores procederam à pesquisa de regiões cromossómicas idênticas em todos os indivíduos.
 

 

Desta análise resultou a identificação de uma região específica no cromossoma 4 que poderá conter a secção do genoma humano cujo material será o responsável pela predisposição genética para uma vida excepcionalmente longa.
 

 

Os resultados deste trabalho foram publicados esta semana no Proceedings of the National Academy of Sciences e, embora não representem de forma alguma a descoberta da fonte da juventude os pesquisadores nele envolvidos, nomeadamente T. Perls, defendem que certamente ajudarão a explicar as razões pelas quais algumas pessoas conseguem viver décadas a mais do que a esperança média de vida. L. Kunkel afirma ainda que a diferenciação genética destes indivíduos longevos é muito subtil e poderá ser um polimorfismo.
 

 

Segundo T. Perls e L. Kunkel: “esta investigação também pode abrir caminho ao desenvolvimento de drogas análogas às produzidas nos organismos dos indivíduos centenários que poderão ajudar a ultrapassar os efeitos indesejáveis do envelhecimento.”
 

 

T. Perls defende mesmo que apenas uma em cada vinte pessoas poderá ter uma vida longa sem, no entanto, apresentar predisposição genética para tal.
 

 

Até agora este grupo de cientistas encontrou a região que contém os genes responsáveis pela longevidade. O próximo passo será a identificação exacta desse gene ou grupo de genes e compreender a forma como actuam.
 

 

De acordo com os autores deste trabalho, “a identificação desses genes... será a base para futuras investigações de identificação das vias metabólicas celulares relevantes no processo de envelhecimento.”
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: CNN

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