Em busca da cura de doenças em venenos de animais

Projeto Venomics

27 junho 2014
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Um consórcio europeu está a estudar venenos de animais para descobrir a cura de doenças, tendo já recolhido e analisado 120 espécies.

 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que este consórcio europeu responsável pelo Projeto Venomics pretende, até ao final de 2015, criar uma base de dados com 20 mil moléculas presentes no veneno de mais de 500 animais.

 

O consórcio é composto por oito empresas de cinco países europeus, entre os quais Portugal, que acreditam “poder encontrar no veneno dos animais a chave para otimizar a saúde humana no futuro próximo”.

 

Bélgica, Dinamarca, Espanha, França e Portugal, representado pela empresa NZYTech, envolveram-se nesta “iniciativa inovadora”, que é simultaneamente o “maior projeto mundial nesta área”, com o objetivo final de identificar e desenvolver novos fármacos a partir de venenos de animais.

 

Trinta meses após o início do projeto já foram recolhidas 120 espécies de animais venenosos, 90 das quais foram analisadas geneticamente, e das restantes 30, foram analisados os péptidos do veneno.

 

“Esperamos obter um banco de 20 mil sequências até ao fim do projeto, que representará a maior base de dados de toxinas construída até ao momento”, diz Nicolas Gilles, líder de uma das empresas (francesa) que integram o consórcio.

 

Um dos grandes potenciais desta investigação é a descoberta de centenas de péptidos e proteínas no veneno de cada uma das espécies venenosas, o que “abre múltiplas oportunidades para a investigação farmacológica”.

 

O facto é que os venenos constituem uma das mais promissoras fontes de criação de novos componentes farmacológicos para o tratamento de doenças humanas, graças às suas atividades funcionais, pequeno tamanho, baixa imunogenicidade e estabilidade, explicam os investigadores.

 

“Os venenos dos animais são 'cocktails' complexos que contêm várias centenas de componentes, a maioria dos quais são proteínas ou péptidos”, afirmou o responsável de uma empresa farmacológica do consórcio, acrescentando que os venenos são, no fundo, reservatórios naturais que contêm muitas moléculas bioativas com capacidade para participar em interações moleculares, o que “as torna tão interessantes para a indústria farmacêutica”.

 

Estima-se que existam na natureza cerca de 170 mil espécies animais venenosas que produzem globalmente mais de 40 milhões de proteínas venenosas diferentes, das quais apenas cinco mil são conhecidas até hoje.

 

No fundo, o trabalho da Venomics está a montante da investigação farmacológica, indo dos venenos até aos candidatos a fármacos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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