Eliminação das células cancerígenas descoberta

Estudo da Universidade de Coimbra

01 julho 2014
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Uma equipa internacional liderada por investigadores da Universidade de Coimbra (UC) descobriu como eliminar células estaminais cancerígenas através da manipulação da sua produção de energia, dá conta um estudo publicado na “Cell Death and Differentiation”.

 

O estudo centrou-se na identificação do modo como “os processos de geração de energia em células estaminais cancerígenas estão interligados com os fenómenos de diferenciação (transformação) celular e resistência a agentes anticancerígenos”, revela uma nota da UC à qual a agência Lusa teve acesso.
 

De acordo com “várias evidências científicas, as células estaminais cancerígenas podem funcionar como uma semente”, resistindo “aos tratamentos convencionais” e podendo “proliferar e gerar novas células malignas, sendo responsáveis pela reincidência de vários tipos de cancros”, refere a UC.
 

Com base em experiências realizadas num modelo de linha celular estaminal de carcinoma embrionário (“um tipo de tumor raro que pode afetar os ovários e testículos”), os investigadores verificaram “uma remodelação celular na população estaminal cancerígena, através da manipulação da função da mitocôndria” (organelo responsável pela geração de energia nas células), explicou o coordenador do estudo, Paulo Oliveira.
 

“Esta remodelação celular faz com que as células se tornem mais suscetíveis a agentes antitumorais”, acrescenta o investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC.
 

O estudo realizado em parceria com as universidades do Minnesota-Duluth e Mercer, nos EUA, mostrou também que, “pelo menos no sistema celular avaliado, terapias que estimulem a função da mitocôndria podem levar a uma alteração no fenótipo da população estaminal tumoral, diminuindo a sua resistência a terapias convencionais”, sublinha ainda Paulo Oliveira.
 

Os investigadores conseguiram também, “pela primeira vez, através da técnica de ressonância magnética nuclear (RMN), fazer uma detalhada análise do perfil metabólico deste tipo de células, antes e depois do seu processo de diferenciação, o que permitiu identificar alterações chave da produção de energia”.
 

O primeiro autor, Ignacio Vega-Naredo, referiu que agora pretendem “investigar de que forma as defesas das células estaminais cancerígenas são diminuídas quando ocorre o processo de diferenciação celular forçado por um aumento da função mitocondrial”. Isso permitirá criar “uma série de novos alvos para uma terapia mais eficaz contra aquele tipo de células”, sustenta o especialista.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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