Eliminação da hepatite C em Portugal é possível

Declarações do presidente do Hospital de São João

29 agosto 2014
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É possível eliminar a Hepatite C no país se o Estado garantir o tratamento a todos os infetados com os novos antivirais e recusar o ‘lobby’ farmacêutico, defendeu o presidente do Hospital de São João, no Porto.


“Dispomos de todos os instrumentos necessários a uma estratégia de eliminação da doença”, referiu António Ferreira num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias e ao qual a agência Lusa teve acesso. “Pela primeira vez, graças aos novos medicamentos, é possível tratar eficazmente a hepatite C”, disse.


O presidente do hospital propõe que o “tratamento da Hepatite C em Portugal se baseie apenas na associação dos novos antivirais”, por oposição aos atuais tratamentos que, diz, são comercializados “a preços verdadeiramente pornográficos e incompatíveis para qualquer sistema de saúde”.


“Tratar a hepatite C em Portugal custará entre quatro mil e oito mil milhões de euros” pelo que, com o atual orçamento da saúde a fixar-se nos cerca de nove milhões, “não é possível tratar todos os doentes com hepatite C”, acrescentou.


De acordo com António Ferreira, a atual estratégia “serve os interesses da indústria farmacêutica”, ao apostar no tratamento “excecional a preços muito altos dos poucos doentes (…) em risco de vida”. Assim considera que o plano “não tem lógica em termos de saúde pública porque permite que o vírus continue a disseminar-se”, para além de não ter “racionalidade em termos económicos”.


O administrador propõe “que se garanta o tratamento a todos os infetados, independentemente do estádio da doença” e que “se inicie um processo negocial com os fornecedores, baseado num programa a implementar em 10 a 15 anos, a um custo médio nunca superior a 10 mil euros por doente tratado”.


Uma vez que “a maioria dos novos antivirais não está, ainda, aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos”, António Ferreira destaca que o Estado pode usar da “prerrogativa de autorizar a [sua] utilização especial” já que as normativas comunitárias assim o permitem.


“Este processo, para além de garantir uma mais do que justa remuneração da indústria, seria sustentável para o SNS [e] implicaria uma despesa de 500 mil euros a mil milhões de euros diferida por 10 a 15 anos (bem menor que a despesa anual atual)”, acrescentou ainda.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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