Efeitos nocivos da guerra deverão poupar Portugal

Especialista explica cenários

20 março 2003
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Portugal deverá escapar aos efeitos ambientais nocivos de uma guerra no Iraque, pelo menos se apenas for utilizado armamento convencional, já que as consequências de ataques químicos ou biológicos permanecem uma incógnita.
 

 

De acordo com um especialista em poluição atmosférica contactado pela Agência Lusa, apesar de não ser absurdo «é improvável que quaisquer partículas provenientes de uma guerra no Iraque atinjam concentrações suficientemente altas para terem impacto em Portugal».
 

 

Além do mais, segundo Casimiro Pio, investigador do Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro, as previsões de trajectórias de massas de ar com ponto de partida no centro do Iraque, para os próximos dias, «apontam para que o transporte de qualquer emissão sobre o Iraque se faça para Leste», ou seja, exactamente na direcção oposta da Europa e Portugal.
 

 

No anterior conflito no Golfo, em 1991, as partículas que se espalharam por uma maior extensão, geradas pelos incêndios nos poços de petróleo do Kuwait, não alcançaram Portugal.
 

 

«Mesmo no caso de Chernobyl (explosão de um reactor nuclear), com consequências na atmosfera sentidas a vários milhares de quilómetros do local do acidente, Portugal foi poupado devido à trajectória das massas de ar», disse.
 

 

Quando se passa da possibilidade de um conflito com armamento tradicional para a eventualidade de um ataque químico ou biológico, as certezas diminuem, já que «não existe qualquer experiência nesta matéria», sublinha Casimiro Pio.
 

 

Ainda assim, o investigador defende, realçando tratar-se de um exercício especulativo, que será «pouco provável» a disseminação deste tipo de contaminação por milhares de quilómetros, já que esta poluição é composta por partículas relativamente grandes, que se depositariam rapidamente no solo, numa extensão de dezenas ou, no máximo, de centenas de quilómetros. A distância Lisboa-Bagdad ronda os cinco mil quilómetros.
 

 

Fonte: Lusa
 

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