Efeitos da crise na saúde dos portugueses

Alerta de um especialista brasileiro

13 dezembro 2013
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O especialista brasileiro em saúde pública Paulo Buss alertou para os efeitos da crise na saúde dos portugueses, afirmando que as consequências "serão tanto piores quanto mais se prolongar a iniquidade".

 

"Portugal era um exemplo no mundo com o seu sistema de bem-estar. (...) O Brasil olhou muito para o sistema de saúde em Portugal", referiu à agência Lusa o pediatra, que atualmente dirige o Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)/Ministério da Saúde do Brasil.

 

O também consultor habitual de organizações internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Panamericana da Saúde e a ONU, alertou que as consequências da crise na saúde já estão à vista e tenderão a piorar à medida que se prolonga a austeridade que retira direitos aos cidadãos.

 

"A mortalidade infantil já começou a crescer, a expetativa de vida de Portugal vai declinar, a saúde mental dos portugueses que perderem as suas casas e os seus empregos começa a deteriorar-se, é possível que a taxa de suicídio cresça, é possível que apareçam problemas de nutrição", disse.

 

Mas não são só estas as consequências da crise: "Há outras coisas que a epidemiologia não consegue medir, como qual o grau de sofrimento provocado pela crise".

 

"A saúde não é só não ter doenças. Se uma pessoa vive com ameaça de perder o emprego ou com o risco de o seu filho perder o emprego, de não ver alternativas na vida do seu neto. Isso dá alguma sensação de bem-estar? Essa pessoa está a viver com saúde só porque não tem cancro?", questionou.

 

De acordo com Paulo Buss, é necessário "sofisticar o conceito de saúde" e para isso é necessário que a OMS regresse ao conceito que esteve na origem da sua criação e que hoje nega.

 

"A mesma OMS que no passado disse que saúde é o estado de bem-estar, não está a fazer absolutamente o seu papel de defender o estado de bem-estar, um estado que impeça a redução de emprego e todas as consequências desta crise", lamentou o especialista.

 

O problema, afirmou o representante da Fiocruz, é que a OMS não é só o secretariado, é também cada Estado-membro, e alguns deles, os mais poderosos, como os EUA ou a União Europeia, "foram capturados por interesses inteiramente comerciais".

 

“O modelo económico atual é contra-humano" e é preciso denunciá-lo, criando "um pensamento paralelo, alternativo ao dominante”, conclui.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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