Ecstasy afecta mais as mulheres

Cérebro feminino é mais afectado pela droga, mas recupera mais facilmente

04 dezembro 2001
  |  Partilhar:

Os cientistas não têm dúvidas em afirmar que o uso de ecstasy- anfetamina que causa efeitos estimulantes , bem como alucinações – causa impacto na saúde mental a longo prazo. Vários estudos recentes têm vindo a confirmar que também os consumidores ocasionais desta droga apresentam danos na memória e dificuldades na aprendizagem.
 

 

Mas se o ecstasy – droga popular entre adolescentes e jovens adultos que frequentam festas, discotecas de house music e shows de rock- afecta todos os consumidores desta droga, as mulheres são mais propensas a sofrer danos no cérebro devido ao uso prolongado de ecstasy que os homens. No entanto, caso a ingestão dos comprimidos seja suspensa, a situação pode ser revertida, revela um estudo efectuado pelo Centro Médico Académico de Amsterdão, Holanda.
 

 

Investigadores e cientistas têm vindo a demonstrar que a droga, popularizada pela house-music na década de 90, pode danificar terminações nervosas que liberam serotonina, uma substância cerebral responsável pelo humor, memória, sono e sexo. A droga também parece causar problemas na transmissão de sinais nervosos das células cerebrais.
 

 

Neste estudo, publicado pela revista The Lancet , os investigadores analisaram 54 pessoas que consumiam ecstasy em doses moderadas e altas. Dezasseis delas deixaram a droga há mais de um ano. Os resultados, segundo relata a equipa holandesa, mostraram que o uso frequente de MDMA -- nome químico do ecstasy -- está associado a efeitos neurotóxicos nos neurónios da serotonina, que as mulheres são mais propensas, e que as mudanças nas diversas regiões do cérebro provocadas pela droga são reversíveis em ex-utilizadoras.
 

 

Com o uso de técnicas de visualização sensitivas, os investigadores compararam a densidade dos receptores de serotonina em diferentes locais do cérebro. No caso das mulheres consumidoras, verificaram quedas substanciais na densidade, ao invés, o mesmo não aconteceu no caso dos homens. Especialistas mundiais consideraram os resultados intrigantes e argumentaram que são necessários mais testes para comprovar a descoberta.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.