Ébola: vacina experimental mostra-se promissora

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

01 dezembro 2014
  |  Partilhar:

Uma vacina experimental contra o Ébola mostrou ser bem tolerada, segura e foi capaz de produzir uma resposta imunológica, dá conta um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.
 

“A escala sem precedentes da atual epidemia do Ébola na África Ocidental intensificou os esforços para desenvolver vacinas seguras e eficazes, não só para ajudar a conter a propagação atual, mas também para evitar futuros surtos”, revelou, em comunicado de imprensa, o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas (NIAID, sigla em inglês), Anthony S. Fauci.
 

A candidata a vacina, desenvolvida pelo NIAID em colaboração com a GlaxoSmithKline, é constituída por segmentos do material genético de duas estirpes do vírus, do Sudão e Zaire, e por um vírus transportador inofensivo que provoca uma constipação comum em chimpanzés, mas não causa doença nos seres humanos. Os investigadores chamam a atenção para o facto de a vacina não conter o vírus Ébola e não causar doença.
 

Para este ensaio clínico de fase I, os investigadores contaram com a participação de 20 voluntários saudáveis que tinham entre 18 a 50 anos de idade. Destes, 10 receberam uma dose baixa e outros 10 uma dose mais elevada através de uma injeção intramuscular. Duas e quatro semanas após a vacinação, o sangue dos voluntários foi testado para determinar se os seus sistemas imunológicos tinham sido capazes de produzir anticorpos contra o vírus.
 

O estudo apurou que, quatro semanas após a vacinação, todos os voluntários produziram anticorpos contra o vírus. Os níveis de anticorpos foram mais elevados nos voluntários que receberam a dose mais elevada da vacina.
 

Os investigadores também determinaram a presença de um tipo específico de células imunológicas, os linfócitos T. Verificou-se que a vacina induziu, de facto, uma resposta imunológica mediada pelos linfócitos T em vários voluntários, incluindo a produção de um tipo específico destas células, os linfócitos T CD8, que podem ter um papel importante na proteção imune contra o vírus.
 

Quatro semanas após a vacinação, os linfócitos T CD8 foram detetados em dois dos participantes que tinham recebido a dose mais baixa e em sete dos que tinham recebido a dose mais elevada.
 

"Sabemos a partir de estudos anteriores realizados em primatas não-humanos que as células T CD8 desempenharam um papel crucial na proteção dos animais que tinham sido vacinados com esta vacina e que posteriormente foram expostos a quantidades letais do vírus Ébola. O tamanho e a qualidade da resposta das células T CD8 que observamos neste ensaio são semelhantes aos observados nos primatas não-humanos vacinados com a vacina experimental”, referiu, a principal autora do estudo, Julie E. Ledgerwood.

 

A administração desta vacina experimental não conduziu a efeitos adversos sérios em nenhum dos voluntários. Apenas dois voluntários que receberam a dose mais elevada tiveram febre no dia da vacinação.

 

“O caminho ainda é longo e existem ainda muitos desafios, mas estamos um passo mais perto da solução”, conclui Daniel D. Bausch, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Tulane, nos EUA.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.