Ébola: uma emergência de saúde pública de alcance mundial

Declarações da Organização Mundial de Saúde

12 agosto 2014
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou, na semana passada, a mobilização internacional contra a epidemia de febre hemorrágica Ébola, na África Ocidental, por considerar o surto da doença "uma emergência de saúde pública de alcance mundial". 
 
A notícia avançada pela agência Lusa refere que, perante o agravamento da situação, a OMS considerou necessária uma "resposta internacional coordenada" para travar e fazer recuar a propagação mundial do vírus Ébola. 
 
A epidemia de Ébola já causou perto de mil mortos, desde o início do ano. A 04 de agosto, a OMS tinha registado 1.711 casos (1.070 confirmados, 436 prováveis, 205 suspeitos) e 932 mortes. Este é o maior surto de sempre da doença, desde que o vírus foi detetado, pela primeira vez, em 1976 no então Zaire, atual República Democrática do Congo. 
A OMS não colocou de quarentena os quatro países afetados - Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa e Nigéria - e, para não agravar a situação económica, pediu medidas de controlo nos pontos de saída e precauções especiais às companhias aéreas que continuam a viajar para a zona. Algumas, como a British Airways e a Emirates Airlines, suspenderam os voos para a zona. 
 
A OMS pediu a ajuda da comunidade internacional para estes países, "sem os meios necessários para responderem sozinhos" à epidemia. Sem excluir restrições às viagens ou ao comércio internacionais, os "Estados devem preparar-se para detetar e tratar casos de doentes de Ébola" e "facilitar a retirada dos seus cidadãos, em particular pessoal médico, que tenham sido expostos" ao vírus. 
A organização mundial pediu aos chefes de Estado dos países afetados que "decretem o estado de emergência", ao mesmo tempo que devem "falar pessoalmente à nação" para informar as populações sobre a situação. 
 
As pessoas que estiveram em contacto com doentes, à exceção do pessoal médico equipado com roupa protetora, não devem ser autorizadas a viajar e as tripulações de voos comerciais para países afetados devem receber formação e material médico de proteção para si e para os passageiros. 
 
A OMS recomendou ainda que todos os viajantes que saiam de países afetados sejam examinados nos aeroportos, portos e principais postos fronteiriços, mediante um questionário e a medição da temperatura. Os casos suspeitos devem ser impedidos de sair. 
 
As trasladações transfronteiriças de possíveis ou casos confirmados de Ébola devem ser proibidas, a menos que estejam salvaguardadas as cláusulas internacionais em termos de biossegurança. 
 
Um país sem registo da doença deve tratar qualquer caso suspeito, ou contacto, ou zonas que registem mortes não explicadas devido a estados febris, como uma emergência sanitária, tomar medidas imediatas nas primeiras 24 horas para investigar e travar um surto de Ébola.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com o sangue e outro fluidos corporais ou tecidos de pessoas ou animais infetados. A febre manifesta-se através de hemorragias, vómitos e diarreias. A taxa de mortalidade varia entre os 25 e 90% e não é conhecida cura nem vacina contra a doença. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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