Ébola: risco de propagação é reduzido

Declarações de um especialista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical

01 agosto 2014
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O risco de propagação do Ébola na Europa é reduzido, estando o surto circunscrito a três países africanos onde já morreram mais de 600 pessoas, Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, assegurou o virologista Jaime Mina.
 

“O risco de contágio na Europa é pequeno. Pode haver casos importados – aliás, já houve no passado, salvo erro, três: na Holanda, na Inglaterra e na Rússia – e agora, já neste surto, houve um nos Estados Unidos, mas são casos completamente esporádicos”, referiu o virologista à agência Lusa.
 

O especialista em doenças tropicais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) considera que, além disso, “há capacidade dos países envolvidos de isolarem estes doentes e de os tratar em isolamento”.
 

Jaime Mina referiu que apesar da situação nos três países infetados “está descontrolada” - como indicou a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras , por se tratar de países pobres, com poucos ou nenhuns recursos, o especialista acredita que a situação será resolvida em breve.
 

“Eu diria que a situação está descontrolada, não por causa do vírus, mas por causa da situação de cada um dos países: os Médicos Sem Fronteiras têm uma fotografia, que eu acho que vale mais que mil palavras, de uma ambulância com um letreiro a dizer, em letras garrafais, ‘proibidas as armas’ e depois, por baixo, ‘não disparem, nós somos da Saúde’. Aquilo são zonas de guerra”, disse.
 

Adicionalmente, o surto começou numa região de floresta densa da Libéria, “com a agravante de que existem minas de diamantes por lá”, apontou Jaime Mina, acrescentando que “seria difícil encontrar uma zona do mundo onde fosse mais difícil combater um surto de uma doença infeciosa”.
 

O especialista chamou a atenção para o facto de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter recentemente convocado responsáveis dos três países afetados e também dos países vizinhos, instando-os a participar numa campanha para deter o vírus do Ébola, que se transmite por contacto direto com o sangue, fluidos biológicos ou tecidos de pessoas ou animais infetados.
 

“A OMS fez uma aposta, há cerca de dez dias, e tem uma probabilidade de sucesso: fez uma reunião com as entidades políticas – e a solução passa obrigatoriamente pela vontade política regional -, não apenas dos três países, porque aí arriscava-se a acabar em tiroteio, mas dos países à roda, incluindo países já com um mínimo de estruturas, como o Senegal, a Costa de Marfim, ou mesmo a Nigéria, que também foi convidada e esteve presente”, acrescentou.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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