Ébola: quarentena pode dissuadir voluntários

Alerta responsável pelo controlo de doenças infeciosas

28 outubro 2014
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A imposição de quarentenas aos profissionais de saúde que regressam da África ocidental pode dissuadir muitos outros de se voluntariarem para combater o Ébola naquela região, alerta o principal responsável norte-americano de controlo de doenças infeciosas.
 

“A melhor maneira de nos protegermos é acabar (com o surto) em África e uma das melhores maneiras de o fazermos é conseguirmos que pessoal médico vá para lá ajudá-los com o problema”, revelou à CNN o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci.
 

“Mas, quando regressam, têm de ser tratados de uma forma que não os desincentive de ir para lá”, acrescentou, sublinhando que a ciência mostra que “pessoas que não estão doentes, que não têm sintomas e que não tiveram contacto com fluídos corporais não são uma ameaça”.
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, os estados de Nova Iorque, Nova Jérsia e, mais recentemente, Illinois adotaram medidas extraordinárias para evitar a propagação do Ébola que incluem quarentenas automáticas compulsivas para qualquer profissional de saúde que regresse aos Estados Unidos de um dos países mais atingidos pelo surto de Ébola – Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa.

 

As medidas foram decididas após ter sido diagnosticado o primeiro caso de Ébola em Nova Iorque, o de um médico que regressou há uma semana aos Estados Unidos depois de uma temporada na Guiné-Conacri para tratar de doentes de Ébola.
Segundo Fauci, uma supervisão ativa dos profissionais que regressam para avaliar se desenvolvem a doença teria o mesmo efeito que a quarentena: “As pessoas que não têm sintomas não podem contagiar”.
 

Ao abrigo das novas medidas, uma enfermeira que regressou a Newark (Nova Jérsia) proveniente da Serra Leoa foi colocada sob quarentena, mas uma primeira análise deu negativo para a presença do vírus Ébola. A enfermeira, Kaci Hickox, disse ter sido interrogada “como se fosse uma criminosa”.
 

“Tenho receio de como o pessoal médico vai ser tratado nos aeroportos quando disserem que estiveram a combater o Ébola na África ocidental. Receio que, como eu, cheguem e vejam um frenesim de desorganização, medo e, mais assustador, quarentena”, acrescentou.
 

De acordo com um novo balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado no sábado, o atual surto de Ébola, centrado na África Ocidental, mas com casos noutras partes do mundo, regista até ao momento 10.141 casos em oito países, 4.992 deles mortais.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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