Ébola: internistas defendem o esclarecimento da população

Declarações da coordenadora da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

03 novembro 2014
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A população deve estar esclarecida para evitar que os sintomas da gripe sejam confundidos com os do vírus do Ébola e se gere o pânico, defendem os médicos internistas.
 

A coordenadora do Núcleo de Estudos de Urgência e do Doente Agudo (NEUrgMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Maria da Luz Brazão, explicou à agência Lusa que a população precisa de estar bem informada sobre os critérios necessários para um caso ser suspeito de infeção pelo Ébola.
 

“Uma coisa é uma gripe e outra coisa é a doença pelo vírus do Ébola”, disse, reconhecendo que alguns dos sintomas da gripe – como febre, dores musculares ou cefaleias – são comuns à infeção por vírus do Ébola.
 

No entanto, são necessários critérios epidemiológicos que incluem história recente nos 21 dias antes do início dos sintomas, de viagem, escala ou residência na Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa, Nigéria ou noutros países onde tenham sido reportados casos suspeitos ou confirmados de infeção por vírus Ébola.
 

O contacto próximo com doente infetado por vírus do Ébola, com objetos ou materiais contaminados é também outro critério epidemiológico. Só com estes critérios é que o doente poderá ser considerado suspeito, pelo que “é importante as pessoas não se dirigirem às urgências com medo de estarem infetadas com Ébola, apenas porque estão com sintomas de gripe”.
 

De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), as pessoas que eventualmente tenham estes critérios devem contactar a Linha Saúde 24 e aguardar indicações, não devendo nunca dirigir-se a um serviço de saúde. Para Maria da Luz Brazão, é fundamental evitar o pânico, o qual “nunca ajuda, nem nesta, nem em nenhuma doença. O alarme nunca deve existir, nem mesmo nas situações graves”.
 

De acordo com a coordenadora do NEUrgMI, “a prevenção deve ser a palavra de ordem em todos os serviços de urgência, o que inclui a elaboração de um Plano de Contingência por parte de todas as unidades de saúde com este tipo de serviços”.

 

Este plano, deve, segundo a especialista, incluir uma formação para todos os funcionários da urgência sobre vários aspetos, como o que é a doença, como se transmite e como se previne, o que é um caso suspeito ou provável e caso confirmado.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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