Ébola: criticada lentidão de resposta à epidemia

Declarações do codescobridor do vírus

28 agosto 2014
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O codescobridor do vírus Ébola, Peter Piot, referiu que tudo aconteceu para que a epidemia ganhasse velocidade, lamentando “a lentidão extraordinária” de resposta da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 

“Nós nunca tínhamos tido um surto de tal amplitude (…) Há seis meses assistimos ao que podemos chamar uma tempestade perfeita: tudo se reuniu para que ganhasse esta velocidade”, disse o investigador numa entrevista ao jornal francês Libération, à qual a agência Lusa teve acesso.
 

A epidemia do Ébola, que já fez quase 1.500 mortos, “explodiu em países em que os serviços de saúde não funcionam, devastados por anos de guerra. Além disso, a população desconfia radicalmente das autoridades”, acrescentou ainda o especialista.
 

“É preciso restabelecer a confiança. Nada pode ser feito numa epidemia como esta do Ébola sem a confiança”, acrescentou.
 

O coordenador das Nações Unidas contra o vírus Ébola, David Nabarro, já alertou que a luta contra o surto é uma guerra que poderia levar até seis meses.
 

Peter Piot lamentou ainda “a lentidão extraordinária” das instituições. “A OMS só acordou em julho”, ainda que o alerta tenha sido lançado no início de março e sabendo-se que a epidemia teve início em dezembro de 2013. “Agora assume a liderança, mas é tarde”, sublinhou.
 

Em meados de agosto, os especialistas reunidos pela OMS julgaram ético fornecer aos doentes medicamentos experimentais com efeitos secundários ainda não testados. “O mínimo que podemos fazer é colocar estes produtos disponíveis em países que foram afetados”, defendeu Peter Piot.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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