Ébola: a epidemia que assustou o mundo

Declarações da diretora-geral da OMS

10 dezembro 2014
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A epidemia do Ébola, que teve início há cerca de um ano, assustou o mundo e trata-se da “mais grave emergência dos tempos modernos”, segundo a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 

De acordo com dados da OMS, ao qual a agência Lusa teve acesso, foram infetados mais de 16 mil indivíduos, tendo ocorrido perto de 7 mil mortes, essencialmente na África Ocidental. No entanto, a OMS admite que o número real de mortos seja muito superior. A taxa de mortalidade rondará os 70%.
 

O surto teve início na Guiné-Conacri, no final de dezembro de 2013, mas o vírus na sua origem só é identificado a 22 de março e já regista 59 mortes. No final do mês, a Libéria confirma os dois primeiros casos. A Serra Leoa, o terceiro dos países mais afetados, confirma a primeira morte devido ao Ébola a 26 de maio.
 

Estes três países registam mais de 95% dos mortos. No Mali, o último país atingido, a OMS dá conta de seis mortos em oito casos. A Nigéria, com oito mortos em 20 casos, e o Senegal, com um doente que se restabeleceu.
 

Foram também registados quatro casos nos Estados Unidos e um em Espanha. Na primeira linha do combate à doença, os profissionais de saúde contam-se entre as numerosas vítimas: 340 mortos entre 592 contaminados.
 

No início de abril, a OMS já classificava a epidemia como uma das “mais assustadoras” desde o aparecimento da doença há 40 anos e, nos finais de junho, os Médicos Sem Fronteiras alertaram que estava “fora de controlo”, assinalando que o surto não tem precedentes quanto à distribuição regional, ao número de infetados e de mortes.
 

A OMS declara-o "emergência de saúde pública mundial" a 08 de agosto, mas para Peter Piot, codescobridor do vírus Ébola, a agência sanitária da ONU tardou em reagir.
 

A epidemia “explodiu em países em que os serviços de saúde não funcionam, devastados por anos de guerra (e onde) a população desconfia radicalmente das autoridades”, disse Peter Piot.
 

Em meados de setembro, a ONU anuncia a criação da Missão das Nações Unidas para a Resposta de Emergência contra o Ébola, para coordenar os esforços internacionais e travar a epidemia, cujos efeitos económicos também suscitam preocupação.
 

Em meados de agosto, o comité de peritos da OMS aprovou o uso de tratamentos experimentais e alguns doentes foram tratados com uma droga experimental, a ZMapp, cujos testes tiveram resultados promissores na cura de macacos infetados com Ébola.
 

O “plasma convalescente", de pessoas que sobreviveram à doença, também já foi utilizado no tratamento de infetados e encontra-se entre os três tratamentos clínicos que vão começar a ser testados este mês na Guiné-Conacri e na Libéria, juntamente com dois medicamentos antivirais.
 

As duas vacinas, desenvolvidas pela GlaxoSmithKline e pela Newlink Genetics, deverão começar a ser testadas no início de 2015 nos países mais afetados na África Ocidental. A primeira, submetida a um ensaio clínico nos Estados Unidos, foi bem tolerada e desencadeou uma boa resposta imunitária.
 

De acordo com a diretora-geral da OMS, a inexistência de tratamentos ou vacinas para um vírus conhecido desde 1976 deve-se ao facto de “o Ébola ter sido histórica e geograficamente confinado a nações africanas pobres” e o atual surto “demonstra os perigos das crescentes desigualdades sociais e económicas no mundo”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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