É possível prever os resultados a longo prazo de um AVC?

Estudo publicado na revista “Neurology”

22 outubro 2018
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Um simples teste, efetuado no espaço de uma semana após um acidente vascular cerebral (AVC), poderá ajudar a prognosticar o estado de recuperação do paciente três anos mais tarde.
 
Martin Dichgans, autor do estudo, da Universidade Ludwig-Maximilians, em Munique, Alemanha, comentou que “descobrimos que este teste, que demora menos de 10 minutos, pode ajudar a prever se as pessoas terão incapacidade nas competências de raciocínio, que são problemas que as impedem de realizar tarefas diárias como tomar banho e vestirem-se, e mesmo se irão morrer”.
 
Para o estudo, a equipa de Martin Dichgans fez o teste, conhecido como “Montreal Cognitive Assessment” (Avaliação Cognitiva de Montreal), a 274 pacientes que tinham tido um AVC, no espaço de uma semana após o evento.
 
Os pacientes foram depois divididos em dois grupos: pacientes que não apresentavam problemas de raciocínio e memória e os que apresentavam incapacidade cognitiva. Os pacientes tiveram novamente as suas competências de raciocínio e memória, função motora e capacidade de completar tarefas diárias avaliadas seis meses, um ano e três anos depois.
 
Como resultado, os pacientes com problemas de raciocínio, uma semana após o AVC, apresentavam uma possibilidade sete vezes maior de morrerem durante os três anos do estudo, do que os participantes sem problemas de raciocínio. A taxa de sobrevivência dos pacientes com problemas de raciocínio após os três anos era de 83%, enquanto os que não tinham tido problemas de raciocínio apresentavam uma taxa de 97%.
 
Os pacientes com problemas de raciocínio no primeiro teste, tinham também uma possibilidade cinco vezes mais elevada de terem problemas com as competências motoras do que os que não apresentavam problemas de raciocínio naquela altura. Três anos após o AVC, 29% dos pacientes com problemas de raciocínio no primeiro teste tinham problemas motores, em comparação com 5% do grupo sem aqueles problemas. 
 
Três anos após o AVC, 42% dos participantes com incapacidade cognitiva apresentavam uma possibilidade maior de terem problemas com as tarefas diárias, índice este que foi de 13% nos que não tinham incapacidade cognitiva. 
 
Finalmente, os pacientes com incapacidade cognitiva eram cinco vezes mais propensos a continuarem a manter problemas de raciocínio do que os sem incapacidade, três anos após o AVC. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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