E o ADN declara-vos...divorciados!

A tendência para que o casamento corra mal pode estar escrita nos genes

12 julho 2001
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Um novo estudo sugere que os genes de cada pessoa decidirão, até certo ponto, se um casamento irá durar ou não. No entanto, parecem não influenciar se essa mesma pessoa chega a casar ou não.
 

 

A equipa de investigadores estudou o registo de questionários feitos a oito mil gémeos (verdadeiros e não), que serviram o exército dos EUA durante a guerra do Vietname. Os questionários tinham por finalidade avaliar a sanidade mental dos soldados e incluía questões, entre as quais as que interessavam aos investigadores, como se eram ou foram casados, se ainda estavam no seu primeiro casamento e, caso já fossem divorciados, como acabou o seu primeiro casamento.
 

 

Gémeos verdadeiros partilham o mesmo património genético - têm, portanto, os mesmos genes - enquanto que gémeos não verdadeiros têm a mesma probabilidade de partilhar genes como qualquer outro par de irmãos (partilham, grosso modo, metade dos seus genes).
 

 

Os resultados mostraram que os gémeos verdadeiros seguiam consideravelmente o mesmo padrão de divórcio, muito mais do que os gémeos não verdadeiros. Estes resultados sugerem que há uma influência genética significativa na probabilidade da ocorrência de divórcio.
 

 

Os autores afirmam que a influência genética na durabilidade do casamento envolve factores secundários influenciados mais directamente pelos genes como sejam o abuso de estupefacientes, alcoolismo e depressões crónicas. Por exemplo, os investigadores descobriram que gémeos que eram jogadores compulsivos tinham 2,8 vezes maiores probabilidades de acabarem o casamento.
 

 

O facto de não ocorrerem diferenças significativas entre os gémeos verdadeiros e não verdadeiros quanto à probabilidade de se casarem ou não foi, no entanto, uma pequena surpresa para a equipa. Eles puseram a hipótese de, como o casamento se dá ainda cedo, será antes influenciado mais fortemente pelo ambiente, como seja o facto de os seus pais terem ou não um casamento duradoiro e feliz. Mas, após o casamento, outros factores poderão tomam conta do destino do mesmo.
 

 

Os autores pensam que este tipo de estudo é importante pois ajuda a desenterrar as raízes de padrões comportamentais. Um dos autores avisou, no entanto, que este estudo não deve ser considerado um alarme do tipo "se temos estas tendências vamos já a correr a um conselheiro casamenteiro!". Serve sim para ajudar a perceber a natureza humana.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

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