É necessária a criação de uma rede de emergência infantil

Bebés abandonados permanecem no hospital muitos dias

04 janeiro 2013
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Portugal devia ter uma rede de emergência infantil de forma a evitar que os bebés abandonados no hospital permaneçam lá muito tempo, disse o diretor do Refúgio Aboim Ascensão à agência Lusa.
 

Luís Villas-Boas considera a situação “lamentável num país onde há tantas instituições que podiam ter unidades de acolhimento de emergência” e as crianças são obrigadas a permanecer no hospital por ordem do tribunal porque na prática não existe uma estrutura de encaminhamento.
 

“Enquanto se discute para onde vai a criança, o bebé fica vários dias na cama do hospital”, criticou. Segundo o diretor da instituição, o ideal seria que o bebé tivesse para onde ir ao fim de três dias de internamento, sendo que os tribunais não deveriam ter poderes para decidir que a criança permaneça no hospital.
 

O abandono de bebés nos hospitais tem aumentado. Só no Hospital Amadora-Sintra foram, em 2012, abandonados 25 recém-nascidos, o que representa o dobro do ano anterior.
 

O diretor da instituição, onde em 1985 nasceu a Emergência Infantil de Portugal, considera assim que “é preciso criar-se uma rede de unidades de emergência infantil”, um sistema que acolha crianças até aos cinco anos, em que o tempo de permanência seja mínimo para que o menor encontre, “no mais curto espaço de tempo possível, a sua família ou uma nova família”.
 

A instituição acolheu, só no período de Natal, três crianças, uma delas um recém-nascido com quatro dias que tinha sido encaminhado por um hospital. “O bebé está connosco. Não sei se irá estar com a mãe ou com alguém dentro de pouco tempo, mas não está no hospital”, disse Luís-Villas Boas, acrescentando que a instituição já acolheu dezenas de bebés com dias de vida.
 

Segundo o diretor, para além de a permanência prolongada no hospital pôr os bebés em risco de contraírem infeções respiratórias, “…primeiro custam mais de 500 euros por dia [à instituição], segundo o bebé cada dia que passa sem colo e sem estimulação deprime-se”.
 

O Refúgio Aboim Ascensão possui condições similares às de um hospital, com unidade pediátrica com capacidade para 36 crianças. “Criámos essas condições para que tenham uma vida exatamente igual à que teriam num hospital, com uma diferença, não estão hospitalizadas. Têm atenção personalizada, proteção jurídica, apoio terapêutico, enquadramento pedagógico e apoio social, dentro do modelo de emergência infantil”, explicou o responsável.
 

Por outro lado, torna-se necessário uma mudança na área jurídica. As mães que declaram dar os filhos para adoção logo à nascença, não o podem legalmente fazer, sendo que existe “um circuito de impunidade nesta área” em Portugal que “tem décadas”. “O Estado tem de impor autoridade na proteção, impor transparência e rigor na adoção, vigiar e fiscalizar”, defende Luís Villas-Boas.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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