E como vamos de genéricos? Os medicamentos alternativos ainda não são alternativa

Farmacêuticos afirmam que a classe médica ainda tem de ser sensibilizada

15 janeiro 2002
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Se for procurar um medicamento genérico na farmácia é possível que receba uma resposta do tipo: «Genérico já não temos» ou porque «não existe em armazém» ou porque «passou a validade».
 

 

O que acontece na maior parte das farmácias é que têm stocks de medicamentos de marca mas não dos genéricos correspondentes. Para os farmacêuticos, esta é uma questão que passa pela receita médica. Em declarações ao jornal Público Maria João Tavares, farmacêutica, esclareceu que «quando um doente chega cá com uma receita de ‘Prozac’ e eu sei que existe um genérico que é muito mais barato (e que existe na farmácia) mas não lhe posso dizer porque não é deontologicamente correcto.»
 

 

Contudo, nem tudo é negativo – já se vai receitando alguns genéricos. É o caso ‘Omeprazol’ e da Ranitidina, antiácidos para o estômago que no ano 2000 implicaram mais encargos em comparticipações do Estado. Ao mesmo tempo, as farmácias já começam a aumentar os seus próprios stocks de genéricos de modo a responder à (lenta) adesão dos médicos à prescrição destes medicamentos.
 

 

Médicos precisam ser sensibilizados
 

 

No Porto, por exemplo, as farmácias afirmam estar preparadas para fornecer todos os genéricos que sejam prescritos pelos médicos já que mesmo em caso de não os terem em armazém, podem disponibilizá-los no próprio dia. Para os farmacêuticos, o cerne da questão passa pela prescrição médica. Para estes profissionais, os médicos ainda prescrevem pouco os medicamentos genéricos, ainda que já se note um pequeno acréscimo no volume de prescrições de genéricos.
 

 

A campanha de sensibilização para os genéricos iniciada esta semana pelo Ministério da Saúde «destina-se ao grande público mas o grande trabalho tem de ser feito junto da classe médica», considera Irundina Agante, directora técnica de uma grande farmácia na cidade do Porto. E os aliciamentos dos laboratórios? Para Agante, dever-se-ia seguir o exemplo da Alemanha, onde impera a regra do médico prescrever gnéricos e, quando não o faz tem de justificar a razão por que não o faz.»
 

 

Do outro lado está a opinião dos delegados de informação médica que entendem que se o Estado quer reduzir os custos com os medicamentos, deve obrigar os médicos a prescrever o princípio activo. Nesse caso, cabe ao farmacêutico e ao doente a escolha do medicamento – genérico ou não.
 

 

Os vários farmacêuticos contactados por aquele jornal estão convictos das vantagens dos medicamentos genéricos, tanto pela sua validade terapêutica pois «são homologados pela mesma entidade que homologa os outros» como pelo seu preço. Para além da grande diferença de preço de base, o genérico é comparticipado pelo Estado em mais 10 por cento. É o caso de um antibiótico de largo espectro cujo princípio activo é a «Ciprofloxacina 500 mg»: o genérico custa ao utente 4,06 €, enquanto um medicamento de marca de uma grande multinacional fica por 13,03 € – mais do triplo.
 

 

MNI – Médicos Na Internet

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