Dupla mastectomia: desnecessária na maioria dos casos

Estudo publicado na revista “JAMA Surgery”

27 maio 2014
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Cerca de 70% das mulheres submetidas a uma mastectomia dupla após o diagnóstico de cancro da mama fizeram-no apesar de apresentaram um baixo risco de cancro na mama saudável, dá conta um estudo publicado na revista “JAMA Surgery”.
 

Estudos recentes têm demonstrado um aumento da escolha deste tipo de cirurgia mais agressiva pelas mulheres com cancro, o que tem levantado questões de tratamento potencialmente excessivo.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Michigan, nos EUA, contaram com a participação de 1.447 mulheres que tinham sido tratadas para o cancro da mama e que não tinham tido recidivas. Foi constatado que 18% das pacientes consideraram ser submetidas a uma dupla mastectomia e 8% tinham mesmo sido submetidas a este tipo de cirurgia.
 

No total, cerca de três quartos das pacientes disse estar muito preocupada com a possibilidade de recidiva e aquelas que tinham optado pela remoção das duas mamas eram as que apresentavam uma maior preocupação. Contudo, um diagnóstico de cancro numa das mamas não aumenta o risco de recidiva na outra mama saudável.
 

“Retirar uma mama não afetada pelo cancro não reduz o risco de recidiva na mama afetada", revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Sarah Hawley.
 

As mulheres com antecedentes familiares de cancro da mama ou ovário ou com um teste genético positivo para mutações nos genes BRCA1 o BRCA2 são habitualmente aconselhadas a realizar uma mastectomia dupla, uma vez que apresenta elevado risco de desenvolver cancro na mama saudável. Contudo, é pouco provável que as mulheres que não tenham estas indicações desenvolvam cancro na mama saudável.
 

No entanto, o estudo apurou que quase 70% das mulheres submetidas a uma mastectomia dupla não tinham antecedentes familiares, nem teste genético positivo. Muitas destas pacientes eram candidatas a uma lumpectomia (cirurgia em que apenas uma parte da mama é removida).
 

A dupla mastectomia é uma operação complexa, que está associada a complicações adicionais e a uma recuperação mais difícil. Além disso, a maioria das mulheres tem de ser submetida a uma reconstrução das mamas. As pacientes podem ainda necessitar de quimioterapia ou radioterapia após a cirurgia, o que pode atrasar ainda mais a sua recuperação.

 

Na opinião dos investigadores, é importante informar melhor as mulheres sobre os riscos e benefícios da mastectomia dupla. Por outro lado, os cirurgiões também devem estar cientes de como a preocupação das pacientes sobre a recidiva impulsiona a sua tomada de decisão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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