Duas empresas privadas desenvolvem vacina contra o anthrax

EUA apostam na luta contra o bioterrorismo...

06 outubro 2002
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Duas companhias privadas norte-americanas vão trabalhar na criação de uma nova vacina contra o anthrax, assente em tecnologia desenvolvida por investigadores federais, que pode reduzir para metade as seis doses actualmente necessárias para garantir protecção.
 

 

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) adjudicou contratos no valor de 22,8 milhões de euros a uma empresa com sede na Califórnia, a VaxGen, e à britânica Avecia.
 

 

O objectivo é que as duas companhias testem a vacina experimental de forma a garantir a sua segurança e, caso ela se verifique, certificar que fornece protecção contra esta bactéria mortal.
 

 

As autoridades federais esperam que juntas, as duas empresas aperfeiçoem a técnica e preencham os requisitos necessários à aprovação da vacina por parte da Administração para os Alimentos e Medicamentos (FDA, Food and Drug Administration).
 

O Governo quer 25 milhões de doses acrescentadas ao Armazenamento Nacional Farmacêutico.
 

 

A VaxGen indicou que planeia começar a testar a segurança da vacina em meados de 2003, esperando ter concluído o processo até ao final do próximo ano.
 

 

A actual vacina contra o anthrax funciona bem, segundo os peritos, mas requer a administração de seis doses durante 18 meses, mais um intensificador anual, além de causar efeitos secundários.
 

 

Nova geração de vacinas
 

 

Na Primavera passada uma comissão científica aprovou as doses existentes mas recomendou o desenvolvimento de uma nova geração de vacinas, que necessite de menos dosagem e desencadeie menos efeitos colaterais.
 

 

A procura de uma alternativa ganhou contornos de urgência depois das notícias de casos de infecções com anthrax há um ano atrás, seguidas da confirmação de que estavam a ser disseminados esporos da bactéria através do correio.
 

 

"Existe uma necessidade urgente de canalizar medidas mais efectivas para proteger os cidadãos norte-americanos dos efeitos perigosos dos esporos de anthrax usados como instrumento de terror", disse o secretário do HHS, Tommy Thompson, numa declaração a propósito das atribuições da sua agência.
 

 

Experiências e conclusões
 

 

Cientistas federais que trabalham no laboratório do exército de Fort Detrick, Maryland, já desenvolveram a ciência que existe por trás da nova vacina.
 

 

Existem três proteínas que tornam o anthrax mortal e todas têm de trabalhar em conjunto para causar a infecção.
 

 

A vacina experimental modifica uma delas, denominada anti-gene protector, que estimula o sistema imunitário do corpo de forma a que este possa reconhecer e lutar contra o anthrax caso a pessoa seja efectivamente infectada.
 

 

As companhias privadas têm agora de tentar transferir esta tecnologia para uma vacina prática e concreta, criando amostras para testes e testá-las depois para ver se é segura.
 

 

Se os testes da fase I forem bem sucedidos, a vacina será testada em grupos maiores de pessoas para verificar se protege contra a infecção, um passo essencial para que a FDA aprove a sua comercialização.
 

 

A vacina existente, desenvolvida pela BioPort, de Lansing, Michigan, também usa o anti-gene protector, mas a proteína não foi geneticamente modificada com recurso às técnicas disponíveis actualmente, disse Robert Myers, vice-presidente executivo da BioPort.
 

 

Myers acrescentou que a vacina da sua companhia pode ser também efectiva quando administrada em duas ou três doses, pelo que estão a ser feitos mais testes nesse sentido.
 

 

A vacina actual não é de momento oferecida a civis que não tenham sido expostos ao anthrax, apesar de ser usada de forma rotineira pelo Pentágono.
 

 

Fonte: Lusa
 

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