Duas em cada dez portuguesas contraem vaginose bacteriana

Estudo da Universidade do Minho

21 março 2013
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Duas em cada dez portuguesas contraem vaginose bacteriana, uma doença que, se ocorrer na gravidez, pode mesmo levar a um aborto ou parto prematuro, dá conta um estudo do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho (UMinho).
 

O estudo, ao qual à agência lusa teve acesso, contou com a participação de 300 mulheres em idade fértil. Os investigadores verificaram que 20% já contraíram vaginose bacteriana pelo menos uma vez e que 37% estão colonizadas com a respetiva bactéria (Gardnerella vaginalis).

 

De acordo com os autores do estudo, os dados de Portugal aproximam-se dos máximos registados em estudos internacionais, mas, ao contrário destes, não se notaram variações significativas entre as etnias e as zonas rurais/urbanas analisadas.
 

O coordenador do estudo, Nuno Cerca, explica que a vaginose bacteriana é uma desordem da flora vaginal que atinge as mulheres em idade fértil, em geral, dos 20 aos 45 anos, e que gera um mal-estar generalizado.
 

“Porque não se sabe bem como surge, nem como se trata e como não é mortal as pessoas deixam andar”, diz o investigador.
 

Nuno Cerca refere que a percentagem de mulheres portadoras da bactéria que se julga estar envolvida na infeção “é das mais elevadas reportadas a nível mundial, o que implica outros estudos e, certamente, mais educação sexual, cuidados de higiene e sensibilização das autoridades”.
 

O professor da UMinho acrescenta que há mulheres que tiveram um aborto ou parto prematuro e desconhecem o motivo, não o associando à vaginose bacteriana.
 

“Muitas mulheres também comentam entre si que a infeção já lhes sucedeu e que o médico receitou um antibiótico, mas, após meio ano ou mais, a infeção regressou, tornando-se quase uma doença crónica”, realça.
 

Nuno Cerca sustenta, a propósito, que os ginecologistas em geral utilizam as terapêuticas mais antigas, apesar das novas terapias em vigor nos EUA, originando “taxas de recaída alarmantes”.
 

Depois da questão epidemiológica (saber o seu alcance no país), a equipa do Centro de Engenharia Biológica quer agora compreender o fenómeno em si e apostar numa teoria.

 

“Sabe-se que esta condição está relacionada com os hábitos sexuais, mas não há consenso se é sexualmente transmissível. O tema “é pouco estudado” a nível mundial, ao contrário de doenças fatais como cancro e malária.
 

“Certamente é porque na vaginose bacteriana não está em causa a vida da pessoa. No entanto, esta é cada vez mais falada face à quantidade de pessoas que envolve”, vinca Nuno Cerca.
 

O estudo da UMinho é o primeiro a nível nacional sobre a prevalência da vaginose bacteriana.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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