Droga de veneno de caracol alivia a dor

Ziconotida apresenta resultados promissores

22 janeiro 2004
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Uma nova droga não aditiva derivada do veneno de um caracol marinho pode trazer um alívio significativo em pacientes com cancro e Sida que sofrem de dores intratáveis.
 

Resultados de um novo estudo indicam que mais de metade dos pacientes avaliados que não respondiam a outros analgésicos encontram alivio quando foram submetidos a esta droga, denominada ziconotida.
 

A ziconotida é fabricada através do veneno de um caracol marinho, que utiliza a toxina para imobilizar os seus predadores e as suas presas. No entanto, os cientistas advertiram que o caracol, em forma de cone, tem-se tornado numa espécie ameaçada devido aos poluentes, bem como à pesca excessiva. Os cientistas, por isso, temem que as espécies desapareçam antes da investigação biomédica chegue a uma vantagem completa sobre as propriedades analgésicas do veneno.
 

A ziconotida é um medicamento completamente novo contra a dor, não é narcótico, e é cerca de mil vezes mais potente que a morfina sem problemas de adição ou de desmame. Trabalha como bloqueador de canais de cálcio sensitivos específicos, de tipo N, que se encontram nos terminais nervosos pre-sinópticos.
 

Uma equipa conduzida pelo médico Michael G. Byas-Smith, um professor auxiliar de anestesia da Escola Médica de Emory University, tratou 111 pacientes com cancro e Sida que não tinham encontrado alívio com outros medicamentos contra a dor. No estudo, alguns dos pacientes também foram tratados com placebo. A maioria dos doentes estavam a tomar morfina no início do estudo. A ziconotida era administrada continuamente sob medidas exactas.
 

Os investigadores afirmam que 53 por cento dos pacientes que receberam ziconotida experimentaram o alívio da dor de modo moderado e até por completo. Mais: cinco dos pacientes do grupo de ziconotida tiveram um alívio completo da dor. As descobertas foram publicadas na edição de Janeiro do Journal of the American Medical Association.
 

Os inconvenientes da ziconotida são os efeitos secundários – estado mental alterado e tensão baixa _ , mas que desapareceram após a suspensão da droga. Os doentes que apresentavam dores severas derivadas do cancro e Sida que não conseguem alívio com outros fármacos, podem ser beneficiados com a combinação ziconotida e morfina. No momento, a equipa tenta apurar as doses correctas para cada situação médica.
 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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