Doses elevadas de vitamina C promovem tratamento do cancro

Estudo publicado na revista “Cancer Cell”

04 abril 2017
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A administração de vitamina C em doses muito elevadas demonstrou melhorar o tratamento do cancro do pulmão e do cérebro, revelou em estudo.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade de Iowa, EUA, terminou a fase I dos ensaios clínicos em humanos com sucesso, tendo demonstrado que a infusão regular de 800 a 1000 vezes mais da dose diária recomendada de vitamina C poderá fazer melhorar os resultados dos tratamentos padrão para o cancro.
 
Os investigadores demonstraram uma via através da qual a alteração do metabolismo do ferro nas células cancerígenas, e não nas células normais, fez com que aquelas células apresentassem uma maior sensibilidade à morte celular devido às quantidades elevadas de vitamina C. 
 
Para o estudo, a equipa liderada por Bryan Allen e Douglas Spitz contou com a participação de 11 pacientes com cancro do cérebro que receberam três infusões semanais de vitamina C durante duas semanas, seguidas de duas infusões semanais durante sete meses, enquanto recebiam o tratamento padrão de radioterapia e quimioterapia. 
 
O objetivo de cada infusão era de aumentar a concentração de vitamina C no sangue dos pacientes para 20.000 μM (o volume normal é de 70 μM na maioria dos adultos). Esta dosagem muito elevada deve-se ao facto de a vitamina C só ter uma meia-vida de duas horas no fluxo sanguíneo dos humanos. De forma geral, o tratamento foi bem tolerado, com reduzidos efeitos secundários.
 
Este ensaio de segurança constituiu a primeira fase de uma série de ensaios clínicos que pretendem investigar se a administração de dosagens elevadas de vitamina C pode efetivamente fazer aumentar a longevidade e qualidade de vida de pacientes tratados com quimioterapia e radioterapia. 
 
Os resultados deste ensaio revelaram que os pacientes com cancro do cérebro (glioblastoma) sobreviveram mais 4 a 6 meses do que os pacientes submetidos a apenas o tratamento convencional, ou seja, sobreviveram entre 18 a 22 meses em vez dos 14 a 16 meses típicos daquele tipo de cancro.
 
“Este estudo revela uma fragilidade metabólica das próprias células cancerígenas que está baseada na sua própria produção de agentes oxidantes que nos permite utilizar compostos redox-ativos existentes, como a vitamina C, para tornar as células cancerígenas sensíveis à radioterapia e quimioterapia”, comentou Garry Buetter, coautor do estudo. 
 
“Este constitui um exemplo significativo de o facto de se saber pormenores sobre os potenciais mecanismos e a ciência básica subjacente aos compostos redox-ativos no cancro versus células normais, podem ser clinicamente aproveitados no tratamento do cancro”, adiantou Douglas Spitz. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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