Dormir pouco pode provocar desinteresse sexual

Estudo avalia baixos níveis de testosterona em ratinhos

06 outubro 2002
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A falta de sono pode trazer inúmeros problemas. Depressão, aumento de peso e uma série de problemas sociais. Mas, pelos vistos, as noites mal dormidas podem afectar muito mais do que se imagina.
 

 

Segundo um estudo brasileiro, efectuado em ratinhos, a falta de um sono repousante pode afectar o interesse sexual nos homens.
 

 

Depois de impedirem os ratinhos de dormir e de os compararem com os que mantiveram uma rotina normal, os cientistas da Universidade Federal de São Paulo observaram que as concentrações da hormona testosterona caíram dramaticamente.
 

 

«Sabe-se que a falta da testosterona nos homens está ligada à depressão, à falta do interesse sexual, à fadiga crónica e ao aumento da gordura abdominal», disse a biomédica Monica Levy Andersen, uma das autoras da investigação.
 

 

Passos do estudo
 

 

No estudo, os investigadores dividiram 40 ratos em quatro grupos. O primeiro era formado por animais jovens - três meses de idade -, que mantiveram o ritmo de vida normal; o segundo grupo também era composto por ratos jovens, só que privados de sono durante quatro dias.
 

 

O terceiro grupo continha ratos idosos - 22 meses de vida -, que permaneceram com as suas actividades inalteradas, enquanto o quarto, também de idosos, foi impedido de dormir durante os mesmos quatro dias.
 

 

Entre os animais jovens, aqueles que não dormiram tiveram uma redução de 69 por cento nos níveis da testosterona-- de 371 nanogramas do hormona por decilitro de sangue para 115ng/dL-- comparados aos que dormiram normalmente. Nos grupos dos idosos, a queda foi ainda maior e chegou a 73 por cento, de 176ng/dL para 47,7nd/dL.
 

 

Agora, os cientistas planeiam iniciar um novo estudo, em 2003, para verificar se os resultados também podem ser aplicados em humanos.
 

 

Em entrevista à agência Reuters, a líder da investigação refere que este estudo serve de alerta para os homens cujas profissões alteram o ritmo normal de sono, como médicos, enfermeiros ou camionistas.
 

 

No estudo, publicado na revista britânica Addiction Biology , os cientistas permitiram então que os ratos dos grupos impedidos de dormir voltassem à rotina normal e descansassem por quatro dias. Os níveis da testosterona foram novamente medidos e não houve um grande aumento nas taxas. Isto significa, segundo a especialista, que não é fácil reverter a queda da hormona. « Se uma pessoa não dorme muito durante a semana e usa o sábado e domingo para repor o sono, não significa que os seus níveis hormonais voltem ao normal».
 

 

De acordo com Andersen, também as mulheres podem enfrentar problemas semelhantes ao passarem uma noite em claro. «Se o facto de não dormir mexe tanto com os ratos machos, o mesmo deve acontecer com as fêmeas», afirmou a biomédica.
 

Por isso, a próxima etapa do estudo – que ainda começa este mês- vai servir para avaliar os efeitos da privação de sono sobre o ciclo menstrual e reprodutivo feminino.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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