Dormir pouco pode conduzir à demência?

Estudo publicado na revista “Neurology”

15 dezembro 2014
  |  Partilhar:

Os indivíduos com apneia de sono ou que passam pouco tempo num sono profundo podem sofrer alterações cerebrais que estão associadas à demência, sugere um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto de Educação de Investigação em Saúde, nos EUA, apurou que os indivíduos com baixos níveis de oxigénio no sangue durante a noite, que ocorre nomeadamente na apneia de sono e no enfisema, têm um risco maior de sofrerem de pequenos danos no tecido cerebral, conhecidos como mini-AVC, comparativamente com os indivíduos cujos níveis de oxigénio são elevados. Este tipo de alterações está associado ao desenvolvimento da demência.
 

Os investigadores também constataram que as pessoas que despendem menos tempo no sono profundo (sono de ondas lentas) apresentam maior risco de perder células cerebrais, comparativamente com aqueles que passam mais tempo neste tipo de sono. De acordo com os investigadores, as pessoas tendem a passar menos tempo no sono de ondas lentas à medida que envelhecem. Por outro lado, a perda de células cerebrais está também associada à doença de Alzheimer e demência.
 

De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores contaram com a participação de 167 nipo-americanos, com uma média de 84 anos, que foram submetidos a testes de sono. Após a sua morte, que ocorreu em média seis anos mais tarde, os cérebros foram autopsiados com o intuito de procurar evidências de micro-AVC, perda de células cerebrais, placas associadas à doença de Alzheimer e corpos de Lewy encontrados na demência de corpos de Lewy.
 

Os participantes foram divididos em quatro grupos com base na percentagem de tempo de sono durante o qual os níveis de oxigénio eram inferiores ao normal. O grupo com percentagens mais baixas passava 13% ou menos do seu tempo de sono com níveis baixos de oxigénio, por oposição àqueles que passavam 72 a 99% da noite com níveis baixos de oxigénio. Cada um dos grupos era constituído por 41 ou 42 homens. Dos 41 homens incluídos no grupo que passava a menor percentagem de tempo com pouco oxigénio, quatro tiveram micro-AVC. Por outro lado, 14 dos 42 homens que passavam grande parte do tempo com níveis baixos de oxigénio apresentaram alterações cerebrais, o que fazia com que tivessem um risco quatro vezes maior de terem danos cerebrais.
 

Os participantes foram novamente divididos em quatro grupos em função da percentagem do tempo que passavam no sono profundo. Dos 37 homens que passavam menos tempo nesta fase do sono, 17 teve perda de células cerebrais, comparativamente com os sete dos 38 que passaram a maioria do tempo em sono profundo.
 

“Estes achados sugerem que os níveis baixos de oxigénio no sangue e um sono profundo reduzido podem contribuir para o processo que conduz ao declínio cognitivo e demência”, conclui uma das autoras do estudo, Rebecca P. Gelber.
 

Contudo, a investigadora refere que são necessários mais estudos para determinar como o sono profundo pode desempenhar um papel restaurador na função cerebral e se o facto de evitar níveis baixos de oxigénio pode reduzir o risco de demência.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.