Dormir mais de oito horas duplica o risco de acidente vascular cerebral

Estudo publicado na revista “Neurology”

02 março 2015
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Os indivíduos que dormem mais de oito horas por dia apresentam um risco elevado de acidente vascular cerebral, risco este que duplica para os idosos, sugere um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, acompanharam, ao longo de nove anos e meio, dez mil indivíduos com idades compreendidas entre os 42 e os 81 anos. Entre 1998 e 2000, bem como quatro anos mais tarde, os participantes foram questionados relativamente ao número de horas que dormiam por dia e se, no geral, dormiam bem.
 

Quase 70% dos participantes disse dormir entre seis a oito horas por dia e 10% referiu dormir mais de oito horas por dia. Os participantes que dormiam menos de seis horas e mais de oito eram geralmente mais velhos, mulheres e menos ativos.
 

Ao longo do estudo, 346 participantes sofreram um AVC, tanto fatal como não fatal. Após terem tido em conta vários fatores, como a idade e sexo, os investigadores constataram que os indivíduos que dormiam mais de oito horas por dia apresentavam um risco 46% maior de sofrer um AVC, comparativamente com os restantes participantes. As pessoas que dormiam menos de seis horas por dia tinham um risco 18% maior, embora esta associação não tivesse sido considerada estatisticamente significativa devido ao número reduzido de pessoas que se enquadravam nesta categoria.
 

Os participantes que dormiam constantemente mais de oito horas diárias apresentavam um risco duas vezes maior de sofrerem um AVC, comparativamente com aqueles que dormiam entre seis a oito horas diárias. Este risco foi quatro vezes maior para aqueles que aumentaram de um sono curto para um mais longo, durante os quatro anos do período de acompanhamento.
 

De acordo com um dos autores do estudo, ainda não está claro por que motivo existe uma associação entre o sono e o risco de AVC. A falta de sono tem sido associada a fatores como metabolismo alterado e aumento dos níveis da hormona do stress, parâmetros estes que conduzem a uma pressão arterial mais elevada e aumento do risco de AVC. Contudo, este estudo sugere que a associação entre uma duração de sono mais longa e um elevado risco de AVC era independente dos fatores de risco habituais para a doença cardiovascular.
 

“Temos de perceber as razões que estão por trás da associação entre o sono e o risco de AVC. Com mais estudos poderemos talvez provar que o sono excessivo é um marcador precoce do aumento do risco de AVC, particularmente entre os mais idosos”, conclui um dos investigadores, Kay-Tee Khaw.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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