Dormir com os pais é prejudicial?

Resposta às dúvidas poderá estar no bom senso

18 agosto 2002
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Quantos recordam com saudade os momentos da infância, quentes e afectuosos, passados na cama dos pais. Quantas conversas, brincadeiras e ternuras se repetiram naqueles cantinhos familiares. Quantos medos e pesadelos foram resolvidos adormecendo bem protegidos pelos braços dos pais.
 

 

Há umas décadas ninguém questionava se esses momentos eram nocivos. Eram simplesmente bons. Mas a ciência troca-nos as voltas a muitas certezas e vários foram os estudos que puseram em causa a partilha frequente da cama entre pais e filhos. Distúrbios do sono, deficiente desenvolvimento psicológico e sexual, risco de asfixia ou outros danos físicos na criança eram as consequências apontadas. Agora uma nova pesquisa vem dizer que não é bem assim.
 

 

Num estudo realizado ao longo de 18 anos, com 205 famílias, uma equipa da Universidade da Califórnia não encontrou provas de que dormir frequentemente na cama dos pais seja prejudicial. A longo prazo, os efeitos não são negativos nem positivos.
 

 

O coordenador do estudo - publicado o Journal of Development and Behavioral Pediadrics - mostrou-se, no entanto, cauteloso em relação àqueles casos em que as crianças dormem sistematicamente com os progenitores.
 

 

"A maioria das mães em todo o mundo gosta de dormir com os seus bebés, mas muitas reprimem esse desejo porque os especialistas dizem não ser recomendável", sublinhou Paul Okami. "Isso não significa que todos devemos compartilhar a cama e sim que precisamos ser muito cuidadosos ao aconselhar as outras pessoas a não adoptar essa prática."
 

 

A pesquisa constatou mesmo que aos 6 anos de idade, as crianças revelavam uma pequena vantagem nas capacidades mentais em relação àquelas que nunca partilharam o sono. Mas, mais uma vez, Paul Okami mostrou-se cauteloso, afirmando desconhecer-se ainda se as causas dessa diferença estão de alguma maneira associadas a este hábito.
 

 

A investigação desmente ainda que a experiência de infância esteja ligada a problemas sexuais, ou a outro tipo de distúrbios, quando as crianças atingiram os 18 anos. Mas também não produziu nenhum benefício.
 

 

A resposta às dúvidas poderá estar no bom senso: nem permitir que a privacidade paternal seja usurpada por estes pequenos invasores, mas também não lhes retirar, a eles e aos pais, o prazer de partilhar um sono afectuoso.
 

 

Fonte:Diário de Notícias
 

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