Dor: sensibilidade afetada pelo estilo de vida e ambiente

Estudo publicado na “Nature Communications”

07 fevereiro 2014
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A sensibilidade à dor pode ser alterada pelo estilo de vida e fatores ambientais, defende um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Os investigadores do King College de Londres, no Reino Unido, demonstraram, pela primeira vez, que a sensibilidade à dor, que se pensava ser inflexível, pode ser alterada devido a ativação ou inativação de genes pelos fatores ambientais e estilo de vida, um processo conhecido como epigenética.
 

De forma a identificar os níveis de sensibilidade à dor, os investigadores liderados, por Jordana Bell, contaram com a participação de 25 pares de gémeos idênticos. Como os gémeos idênticos partilham 100% dos genes, qualquer diferença entre eles é resultante da ação que as alterações epigenéticas exercem na função dos seus genes.
 

Para o estudo, os participantes tinham de pressionar um botão sempre que a sonda de calor colocada no braço se tornava dolorosa. Através da sequenciação do ADN, os investigadores analisaram mais de cinco milhões de “marcas” epigenéticas em todo o genoma. Posteriormente estas foram comparadas com as presentes noutros 50 indivíduos que não estavam relacionados entre si.
 

O estudo apurou que havia grandes diferenças entre as pessoas e identificou modificações químicas em nove genes envolvidos na sensibilidade à dor, que eram diferentes num dos indivíduos, mas não no seu gémeo. As alterações químicas foram mais significativas num gene já conhecido por estar associado à sensibilidade da dor, o TRPA1. Na verdade, este é já um alvo terapêutico dos analgésicos que se encontram em desenvolvimento.
 

No entanto, esta é primeira vez que se verifica que a atividade deste gene pode ser influenciada pela epigenética. Este é um processo que após ser conhecido poderá ter importantes implicações no alívio da dor.
 

“O fato de se poder potencialmente regular epigeneticamente o gene TRPA1 e outros genes envolvidos na sensibilidade à dor é muito entusiasmante e pode conduzir a tratamentos da dor mais eficazes para os pacientes com dor crónica”, conclui Jordana Bell.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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