Dor provocada por mulheres dói menos

Força não é a única explicação

10 fevereiro 2004
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Porquê razão um estalo de uma mulher dói menos do que um infligido por um homem? A resposta até pode parecer evidente… Segundo um estudo da Universidade de Westminster, em Londres, a força pode não ser a única razão para que a dor provada por uma mulher seja mais «doce». Os cientistas pediram a um grupo de estudantes que colocassem os dedos dentro de um aparelho operado manualmente. A máquina comprimia gradualmente os dedos dos voluntários até que a dor se tornasse insuportável. E o estudo concluiu que, quando mulheres operavam o aparelho, os estudantes conseguiam tolerar níveis mais altos de dor.David Williams, coordenador da investigação, diz que o estudo indica que as pessoas não esperam que uma mulher inflija tanta dor quanto um homem. «Esse efeito é provavelmente o resultado daquilo que os pacientes esperam de forma subconsciente, com base em estereótipos adquiridos socialmente», afirmou Williams, acrescentando que as pessoas estão menos inclinadas a acreditar que vão sentir dor intensa a partir de um estímulo provocado por uma mulher do que por um homem. Williams ainda disse que mulheres e homens apresentaram níveis de tolerância à dor semelhantes, o que contraria teorias de que as mulheres seriam mais resistentes. Segundo o cientista, o estudo revelou ainda que a sensibilidade à dor depende também do ambiente.Os estudantes pareciam sofrer mais quando havia cartazes na parede que poderiam despertar sentimentos negativos, como imagens de ferimentos ou um a solicitar doações de sangue. «As pessoas avaliam o ambiente de forma subconsciente. Essa avaliação pode transformar um estímulo fraco como doloroso», explicou Williams, adiantando que o oposto também ocorre.Para o investigador, o estudo pode ter implicações na forma como os tratamentos dolorosos são administrados. «Os indivíduos podem ser estimulados a sentir dor por características do ambiente e, como resultado, podem sofrer de forma desnecessária durante procedimentos clínicos dolorosos», apontou, alertando para o facto de ser necessário conhecer esses princípios para o desenvolvimento de métodos que reduzam o sofrimento nessas situações.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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