Dor: no caminho de novos analgésicos

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

17 junho 2013
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Investigadores americanos identificaram uma nova abordagem para o tratamento da dor severa, sugere um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Para os pacientes com cancro e outros problemas crónicos, os analgésicos são essenciais para o alívio da dor. Contudo, como o organismo tem a tendência natural para desenvolver tolerância a este tipo de fármacos, os pacientes necessitam de tomar doses elevadas, aumentando consequentemente o risco de efeitos secundários e dependência.
 

Os fármacos como a hidrocodona e a oxicodona são muitas vezes as melhores opções para o tratamento de dor moderada a severa. Estes fármacos ligam-se ao chamado local alostérico dos recetores opióides para aliviar a dor. Ter por alvo este local é uma faca de dois gumes, uma vez que este é também responsável por todos os efeitos secundários do fármaco, como a obstipação e depressão respiratória. A tolerância também limita o uso crónico destes fármacos, pois são necessárias elevadas doses para manter o mesmo efeito.
 

Através da utilização de sistemas celulares e de membranas cerebrais dos ratinhos, os investigadores da Universidade do Michigan, nos EUA, conjuntamente com uma empresa farmacêutica, conseguiram identificar compostos que se ligam a um local alostérico completamente distinto no recetor opióide. Estes compostos atuam num local que ainda não tinha sido, até à data, descrito como alvo terapêutico e também se ligam ao recetor de uma forma que aumenta a ação da morfina, ou seja, consegue-se obter o mesmo efeito com doses mais baixas.
 

“Descobrimos pela primeira vez compostos que se ligam a um local alternativo dos recetores opióides das células nervosas e que têm o potencial de aumentar o impacto do fármaco, sem aumentar os efeitos colaterais negativos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos coautores do estudo, John Traynor.
 

"Ainda estamos nos ensaios iniciais e temos ainda um longo caminho a percorrer, mas acreditamos que a identificação destes compostos é um passo fundamental para revolucionar o tratamento da dor. Isto abre portas para o desenvolvimento de analgésicos que requerem doses mais baixas, o que ajuda a resolver os problemas graves de tolerância e dependência associados à terapia da dor convencional”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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