Dor e prazer geram resposta neural semelhante

Revela estudo

07 dezembro 2001
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A resposta cerebral à dor parece seguir uma via muito semelhante à do prazer. Esta é a conclusão do estudo realizado pela equipa de David Borsook, do Massachusetts General Hospital, em Boston (EUA). Segundo o coordenador do estudo, estes resultados poderão conduzir ao desenvolvimento de tratamentos mais adequados direccionados ao tratamento da dor crónica.
 

 

Os investigadores fizeram exames de ressonância magnética funcional e avaliaram a resposta cerebral a estímulos de dor em oito voluntários saudáveis do sexo masculino.
 

 

Os estímulos de dor foram induzidos por aparelhos térmicos colocados na parte posterior das mãos. O estudo foi dividido em duas fases: na primeira fase o aparelho foi regulado para uma temperatura que não produzia dor. Na segunda fase o mesmo aparelho foi mantido a 46ºC, durante 25 segundos, suficiente para produzir dor.
 

 

No artigo publicado na revista científica Neuron, os autores relatam que as respostas cerebrais desencadeadas nas duas fazes da investigação foram diferentes. No que respeita à resposta estimulado pela dor, os investigadores verificaram que os estímulos activaram o circuito cerebral de recompensa; o mesmo que responde às drogas, aos sabores agradáveis e a outros estímulos de prazer.
 

 

Segundo Borsook, as conclusões deste estudo constituem a confirmação de que o circuito que responde aos estímulos de dor é, em tudo, semelhante ao circuito classicamente definido pelo que é gerado por estímulos de recompensa.
 

 

Ainda segundo aquele investigador, estes resultados constituem uma base para a compreensão do sofrimento como uma resposta à dor crónica. Isto é importante se nos lembrarmos que são milhões de pessoas em todo o mundo que sofrem de dor crónica.
 

 

No relato científico deste trabalho, os investigadores realçam que o entendimento sobre a forma como a dor é interpretada tem avançado significativamente devido ao desenvolvimento das técnicas de visualização dos circuitos neurais envolvidos na avaliação dos estímulos de dor experimentais ou clínicos.
 

 

A equipa coordenada por Borsook pensa poder vir a desenvolver os vários mapas das diferentes redes neurais envolvidas nos diferentes tipos de dor na esperança de isso possa contribuir para a descoberta de novas abordagens ao alívio de tipos específicos de dor.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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