Dor é mais intensa nas mulheres?

Homens e mulheres relatam dor de forma diferente

08 agosto 2001
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As mulheres descrevem a dor de uma forma muito diferente da relatada pelos homens. Segundo estudos norte-americanos, a mulher define a dor, mais intensa e dolorosa do que o sexo masculino.
 

 

Mas se a narração dos aspectos dolorosos é desigual, o tratamento médico também apresenta algumas diferenças.
 

 

Durante a segunda Conferência Internacional de Saúde Feminina realizada recentemente em Cleveland, EUA , os investigadores referiram ser menos provável que a dor de uma mulher receba tratamento adequado do que a de um homem.
 

 

Mas quais serão os mecanismos que fazem diferir a percepção da dor entre homens e mulheres. Rober B. Fillingim, da Universidade da Flórida, em Gainesville, apontou vários factores: "A dor não é o que viaja ao longo dos nervos, mas antes a nossa própria experiência pessoal."
 

 

Fillingim destacou que as mulheres estão duas a três vezes mais propensas a ter enxaqueca do que os homens e seis vezes mais propensas a sofrer de dor crónica nos músculos.
 

 

Embora as mulheres sintam mais dor, os médicos parecem estar mais inclinados a tratar os sintomas dolorosos em homens. Fillingim exemplifica: “Num estudo em que os médicos foram solicitados a descrever um plano de tratamento baseado em ilustrações clínicas, prescreveram doses mais altas de analgésico à base de codeína para homens do que para mulheres com dor nas costas".
 

 

Mas estas diferenças, segundo o investigador, têm uma explicação: as flutuações hormonais nos dois sexos. As mulheres mais jovens "relatam maior sensibilidade à dor durante o período pré-menstrual". E aquelas que sofrem de tensão pré-menstrual "são mais sensíveis à dor" do que as que não apresentam o problema.
 

 

O investigador acrescentou que o estrogénio parece ser o responsável pela dor relacionada com o sistema hormonal, dado que as mulheres que tomam o composto hormonal na pós-menopausa também relatam mais dor.
 

 

No entanto, as hormonas não explicam tudo, o lado social da convivência com a dor também tem um peso importante nas diferenças relatadas pelos dos sexos. As queixas dolorosas de uma mulher são socialmente mais aceitáveis que um homem, defendeu o investigador.
 

 

As diferenças fisiológicas também podem influenciar a dor. Homens e mulheres respondem de forma diferente a analgésicos, destacou Fillingim.
 

 

"Acredito que alguns testes vão fornecer dados sobre as diferenças de género dos medicamentos, mas até obtermos esses resultados é difícil recomendar um analgésico em detrimento a outro".
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

 

Fonte: Reuters
 

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