Dor e a dependência dos analgésicos endógenos

Estudo publicado na “Science”

24 setembro 2013
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O organismo dos mamíferos, incluindo o dos humanos, produz opióides endógenos  - compostos que atenuam a dor crónica - em resposta a danos. Este estudo publicado na revista “Science” sugere que o organismo desenvolve dependência física e fisiológica a estes opióides endógenos, tal como acontece com os fármacos opióides.
 

Quando os opióides atuam nos seus recetores “travam” a transmissão dos sinais de dor enviados ao cérebro. Há já algum tempo que os investigadores sabiam que o bloqueio dos recetores opióides podia aumentar a intensidade da dor aguda, a dor que ocorre imediatamente após um dano. No entanto, ainda não tinham a certeza se este tipo de bloqueio poderia aumentar a dor crónica
 

Os investigadores da Universidade de Kentucky, nos EUA, acreditavam que o sistema opióide era bem mais importante do que previamente reconhecido, tendo uma capacidade indefinida de combater a dor crónica. Assim, caso esta hipótese estivesse correta, o bloqueio dos opióides deveria aumentar a dor crónica.
 

De forma a simular os ferimentos humanos, os investigadores produziram inflamação na pele de ratinhos, tendo esperado algumas semanas pelo aparecimento de comportamentos associados à presença de dor. Posteriormente foram administrados bloqueadores dos recetores opióides, impedindo eficazmente as ações de alívio resultantes do sistema opióide.
 

O estudo apurou que quando o sistema opióide foi bloqueado, os ratinhos reverteram uma série de comportamentos associados com a presença da dor. Surpreendentemente também apresentaram sintomas similares aos conhecidos efeitos da adição aos fármacos opióides. Estes resultados foram observados mesmo no caso de as dores já terem aparentemente desaparecido há mais de seis meses e meio. A natureza deste fenómeno de longa duração sugere que o efeito analgésico dos opióides endógenos continua a ter um efeito mesmo após os ferimentos ou danos terem sido curados.
 

Os investigadores explicam que, mesmo após um ferimento agudo ter sido curado, o sistema opióide continuam a “travar” a dor. Quando este sistema é bloqueado, o “acelerador” ocorre livremente e a dor crónica reaparece.
 

Uma vez que o organismo parece desenvolver em relação ao sistema opióide algo parecido com a adição aos opióide sintéticos e como o stress é um fator conhecido nas recaídas da adição dos opióides, o stress pode também ser um fator importante nas recaídas dos pacientes com dor crónica. Assim os autores do estudo especulam que o stress pode interferir com o sistema opióide endógeno, conduzindo ao aparecimento da dor crónica generalizada, galopante como é observado em várias condições, incluindo fibromialgia.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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