Dor crónica: por que motivo persiste?

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

18 maio 2016
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Investigadores do Reino Unido fornecem mais pistas sobre o motivo pelo qual a dor crónica pode persistir mesmo após a lesão que a causou ter desaparecido, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 

Através deste estudo os investigadores do King's College London, no Reino Unido, explicam como as lesões pequenas e aparentemente inócuas deixam marcas moleculares que conduzem a danos mais duradouros e, em último caso, à dor crónica.
 

A dor persistente é uma condição muito comum, que pode ser causada por lesões desportivas, várias doenças e pelo processo de envelhecimento. As opções de tratamento são limitadas e frequentemente os médicos apenas conseguem aliviar parcialmente a dor através da prescrição de analgésicos.
 

Apesar de a dor crónica ter diferentes causas, o resultado é frequentemente o mesmo, ou seja, o sistema nervoso fica exageradamente sensível e responde mais do que o habitual. No entanto, ainda não se conhece a razão pela qual o sistema nervoso permanece tão sensível durante tão longos períodos de tempo, especialmente nos casos em que a lesão ou doença subjacente já desapareceu.
 

Os investigadores, liderados por Stephen B. McMahon, tentaram responder a esta questão através da análise das células imunitárias no sistema nervoso de ratinho, que são conhecidas por desempenharem um papel importante na produção da dor persistente.
 

O estudo apurou que os danos nervosos alteram marcas epigenéticas em alguns dos genes nestas células imunitárias. A epigenética é um processo que determina que gene é expresso e onde.
 

Os investigadores constataram que as células analisadas comportavam-se como células normais, mas a existência destes novos marcadores epigenéticos pode significar que transportam a memória da lesão inicial.
 

"Estamos a tentar perceber por que, em última análise, a dor se pode transformar numa condição crónica. Já sabíamos que os pacientes com dor crónica tinham células nervosas mais ativas. Acreditamos que isto é, provavelmente, devido às diferentes propriedades de várias proteínas e canais nas células nervosas“, revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Franziska Denk.
 

“Queremos saber por que estas proteínas e canais mantêm a sua função alterada durante um tempo tão longo. As células têm sistemas de limpeza através dos quais o seu conteúdo é substituído e renovado em poucas semanas e meses. Então por que motivo as proteínas cruciais continuam a ser substituídas por versões com defeito de si mesmas? Com este estudo foi dado o primeiro passo para tentar responder a esta pergunta, explorando a possibilidade das alterações na dor crónica poderem persistir devido à epigenética”, acrescentou.
 

Investigadores referem que esperam que estes dados possam conduzir a um melhor conhecimento dos mecanismos subjacentes à dor crónica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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