Dor crónica: descoberto novo alvo de tratamento

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

15 fevereiro 2016
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Investigadores do Reino Unido descobriram que o bloqueio de uma proteína que regula o stress pode ajudar a tratar a dor crónica, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde (NIH, sigla em inglês), a dor crónica é uma dor que ocorre durante pelo menos 12 semanas, podendo persistir durante meses e, nalguns casos, anos.
 

Estudos anteriores sugeriram que o stress pode conduzir ou exacerbar a dor crónica, e algumas investigações indicaram que os indivíduos com determinadas variações no gene FKBP51 apresentavam mais dor física após trauma do que aqueles sem estas variações. Adicionalmente, o gene FKBP51 está associado ao risco de desenvolvimento de doenças psiquiátricas relacionadas com o stress, como depressão major e stress pós-traumático.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade College London, no Reino Unido, decidiram averiguar de que forma as variações no gene FKBP51 contribuíam para a dor crónica.
 

Após terem modificado geneticamente ratinhos para estes não expressarem a proteína FKBP51, os investigadores, liderados por Maria Maiarù, verificaram que estes animais apresentavam uma sensibilidade à dor reduzida em resposta a danos nervosos e artrite.
 

A inibição da FKBP51 teve um efeito muito grande nos ratinhos com dor crónica. Não só bloqueou a dor da lesão sem afetar a resposta normal à dor, como também os tornou mais móveis. Adicionalmente não foram encontrados quaisquer efeitos negativos adversos.
 

Posteriormente, os investigadores bloquearam a FKBP51 na medula espinal de ratinhos normais com o SAFit2, um composto habitualmente utilizado para tratar os distúrbios de humor e que atua no cérebro reduzindo a ansiedade. Ao bloquear seletivamente a FKBP51 na espinal medula, os investigadores foram capazes de testar o seu efeito na dor crónica, independentemente do seu impacto no cérebro.
 

O estudo apurou que o SAFit2 foi capaz de aliviar substancialmente a dor crónica nos ratinhos, o que sugere que este composto pode funcionar como candidato ao desenvolvimento de fármacos.
 

“O composto foi desenvolvido para ter efeitos positivos na saúde mental, mas descobrimos que também apresenta benefícios significativos nas síndromes de dor crónica”, revelou, em comunicado de imprensa, uma outra autora do estudo, Sandrine Géranton.
 

Por último os investigadores verificaram que uma lesão pode desencadear alterações epigenéticas a longo prazo nos circuitos sensoriais na medula espinal. Como resultado há um aumento da produção da FKBP51 que contribui para a resposta do organismo à dor.
 

“A FKBP51 no cérebro pode prolongar a resposta ao stress após lesão e descobrimos que também exacerba a resposta à dor. Apesar de em tempos ter tido uma vantagem evolutiva na promoção da sobrevivência, atualmente pode conduzir à dor crónica, depressão e stress pós-traumáticos. A dor crónica afeta um em cada cinco adultos no mundo inteiro e atualmente não existem tratamentos eficazes, deste modo estamos muito entusiasmados por ter identificado um novo alvo terapêutico”, concluiu a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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