Dor crónica altera sistema imunológico

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

03 fevereiro 2016
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A dor crónica pode alterar o sistema imunológico através da reprogramação do funcionamento dos genes, sugere um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 

A dor é considerada crónica quando perdura há mais de seis meses. Este tipo de dor é uma das causas mais comuns de incapacidade a nível mundial, podendo os seus efeitos físicos e emocionais terem um grande impacto na qualidade de vida dos indivíduos afetados. Atualmente não existem tratamentos eficazes contra a dor crónica, nem se consegue saber quem vai desenvolver este tipo de dor após uma lesão.
 

A lesão do nervo periférico tem sido associada a alterações funcionais e persistentes no cérebro. Vários tipos de dor crónica têm sido associadas a alterações no córtex pré-frontal, uma região cerebral que desempenha um papel importante nos aspetos sensorias e emocionais da dor crónica. O córtex pré-frontal tem também sido associado a condições que acompanham a dor crónica como ansiedade, depressão e problemas cognitivos.
 

Estudos anteriores realizados em ratinhos também já tinham sugerido que os défices cognitivos e emocionais podem persistir vários meses após danos nervosos. Contudo, ainda não se tinha descoberto como estes efeitos prolongados das lesões contribuíam para a dor crónica.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de McGill, no Canadá, decidiram estudar o ADN dos cérebros e dos leucócitos de ratinhos de forma a averiguar uma possível ligação entre a dor crónica e o ADN, ou mecanismos epigenéticos no cérebro.
 

O estudo utilizou um método que mapeou a marcação do ADN através de grupos metilo. “A marcação com grupos metilo é importante para regular a forma como estes genes funcionam”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo Laura Stone. Este tipo de marcação química faz parte de uma área crescente da epigenética, que envolve modificações que ativam e desativam os genes, reprogramando eficazmente o seu modo de funcionamento.
 

Os investigadores apuraram que um grande número de genes, entre centenas a milhares, estavam marcados com a dor crónica. Verificou-se ainda que a dor crónica alterava a marcação do ADN no cérebro e nos linfócitos T, um tipo de leucócitos que desempenha um papel muito importante na imunidade.
 

“Agora podemos considerar as implicações que a dor crónica pode ter noutros sistemas do organismo que não estavam, habitualmente, associados à dor. Estes achados chamam a atenção para o impacto devastador da dor crónica nas outras partes do organismo, como é o caso do sistema imunológico”, referiu, um outro autor do estudo, Moshe Szyf.

 

Os investigadores esperam que estes achados possam conduzir a novas formas de diagnóstico e tratamento da dor crónica nos humanos, uma vez que alguns dos genes marcados pela dor crónica podem se tornar alvos de medicamentos para a dor.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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